Campanha na Itália descamba para a baixaria

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, causou uma nova polêmica a cinco dias das eleições, chamando os eleitores de centro-esquerda de coglioni, que é uma gíria para testículos. O termo também é utilizado como "idiota", ou para dizer que uma pessoa tem baixa inteligência. O comentário de Berlusconi, feito durante uma visita a Confederação de Comerciantes, desencadeou uma série de protestos por parte da oposição. "Tenho muita estima pela inteligência dos italianos para pensar que hajam tantos idiotas que possam votar contra seus próprios interesses", disse Berlusconi. O primeiro-ministro pediu desculpas imediatamente, porém não pelo insulto, mas por ter feito uso de "linguagem baixa, mas eficaz". Repercussão na oposição Suas palavras tiveram uma resposta imediata por parte da oposição, que exigiu retratação. Depois de escutá-lo "pensei que tivesse fumado um cigarro de maconha. Porém, um simples cigarro de maconha não teria produzido efeitos similares. O que lhe terá dado ímpeto para dizer coisas deste estilo?", disse Daniele Capezzone, do Partido Rosa, membro da coligação de centro-esquerda União, dirigida por Romano Prodi. "É um insulto de cabaré de quarta ordem", disse Renzo Lusetti, do Partido Margherita, também integrante da União. Justificativa Pouco depois, Berlusconi justificou suas palavras, como já fez em outras ocasiões, e argumentou que estava utilizando da "ironia", e depois acusou "a esquerda" de "manipular como sempre" suas palavras. Em defesa de Berlusconi, como habitual, Alessandra Mussolini, fundadora de um partido neofascista, ainda adicionou a fala de Berlusconi o adjetivo "covarde" à oposição. Debate O primeiro-ministro conservador e o líder opositor de centro-esquerda Romano Prodi participaram na noite da segunda-feira do último debate pela TV antes das eleições gerais dos dias 9 e 10. Eles trocaram insultos, e Berlusconi, mais nervoso, decidiu não responder a algumas perguntas. Berlusconi manteve seu discurso sobre os impostos e acusou a oposição de ser "o partido dos impostos". Prodi declarou que "Berlusconi se apóia aos números como os bêbados se apóiam nos postes; não para procurar a luz, mas para se manter em pé". O primeiro-ministro disse então que Prodi é "um útil idiota de desqualificação" e que estava sendo usado por seus "sócios comunistas". Outro alvo de Berlusconi no debate foram os católicos italianos que, segundo as pesquisas, estão tentados a abster-se. Berlusconi dirigiu um apelo direto a eles, fundamentado no apoio que recebeu na última semana do conservador Partido Popular Europeu, e em sua identidade e em seu apoio público a um novo partido religioso criado no país para "defender os valores ocidentais". A estratégia de Prodi foi dirigida para o mau desempenho da economia italiana - um dos piores da União Européia - durante os cinco anos de mandato de Berlusconi. O líder da oposição de centro-esquerda bateu na mesma tecla do primeiro debate que surtiu o efeito que ele esperava. Berlusconi, segundo Prodi, teria usado seu mandato para administrar o país tendo como pano de fundo seus próprios interesses. Isto é, manter seu império da comunicação intacto.

Agencia Estado,

04 Abril 2006 | 14h54

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