Campanha no Equador acaba sem favoritos

Os candidatos à Presidência do Equador, o multimilionário Álvaro Noboa e o esquerdista Rafael Correa, usaram na quinta-feira toda sua artilharia verbal no encerramento da campanha para o segundo turno das eleições, que será neste domingo. À meia-noite terminou o prazo estabelecido pela lei para a campanha eleitoral. Depois de dois dias, os 9,1 milhões de eleitores equatorianos vão às urnas. Nenhum dos dois candidatos é considerado favorito. E a dúvida levou a insultos e críticas dos dois lados. Noboa, que encerrou sua campanha eleitoral com uma carreata e um comício na cidade de Guayaquil, disse que seu adversário simboliza a instabilidade política e pode levar o país a "uma guerra civil". "Haverá um conflito quando o Congresso proibir a Assembléia Constituinte que Correa defende, e então pode começar uma guerra civil", disse Noboa. O candidato é apoiado pelo Partido Renovador Institucional de Ação Nacional (Prian), detentor da maior bancada no Parlamento. As advertências continuaram. Noboa disse temer que, com o eventual governo do esquerdista, apareçam no país grupos guerrilheiros como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Noboa afirmou ainda que o gabinete de Correa seria composto por "comunistas" opostos à dolarização em vigor no país desde 2000. "O gabinete de Correa será formado por quadros da extrema esquerda, que são contra as empresas, que não querem o dólar e que criarão instabilidade", disse. Em seu discurso, Noboa insultou Correa, que chamou, repetidamente, de "mentiroso bacalhau". Foi uma referência a um verso de uma canção popular que diz "te conheço, bacalhau, mesmo que estejas disfarçado". Na sua opinião, Correa não quer admitir sua tendência política e ideológica. Ele sugeriu que o esquerdista faça como os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba, Fidel Castro, que se assumem socialista e comunista, respectivamente. "Ele se diz meio cristão, meio de esquerda", criticou. Correa, que fechou sua campanha em Quito e na cidade litorânea de Portoviejo, disse que os grupos políticos tradicionais, que chamou de "máfias", podem promover uma fraude no domingo. Na sua opinião, os correligionários de Noboa controlam o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE). Esses grupos e "os canais de televisão vinculados aos banqueiros corruptos vão tentar uma fraude eleitoral" no domingo, opinou o esquerdista, pedindo à população que fiscalize o processo. Correa já denunciou uma suposta fraude no primeiro turno, em 15 de outubro, quando ficou em segundo lugar, atrás de Noboa. "Temos que garantir a vitória popular. Cada um de nós deve proteger a vitória da esquerda", disse. Correa ridicularizou Álvaro Noboa por sua atitude de quarta-feira, em Quito. Durante um comício, o candidato conservador se ajoelhou no palanque para pedir o voto aos equatorianos. "Ficou de jelhos, chorando lágrimas de sangue por ter subestimado o povo equatoriano", disse Correa, acusando seu de tentar "comprar" a Presidência "com seus talões de cheques".

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