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Campanha peruana foi marcada por ´guerra suja´

A reta final do segundo turno das eleições presidenciais peruanas foi marcada por acusações mútuas entre os dois candidatos, Alan García e Ollanta Humala, após a queda na diferença das intenções de voto de ambos.Em meio a troca de insultos e apresentação de "provas" de corrupção e envolvimento com velhos "vilões" da política peruana, os candidatos protagonizaram um embate que deixou de lado a discussão de propostas para centrar-se na divulgação de boatos.E, ao contrário do que aconteceu no primeiro turno, os rumores deixaram de ter origem em panfletos apócrifos ou páginas da internet para serem divulgados por altos assessores dos dois candidatos. Até o atual governo se envolveu na boataria. Segundo o próprio presidente do país, Alejandro Toledo, agitadores pagos planejam sabotar a eleição. Mas é verdade que atual campanha eleitoral não está livre de violência. Recentemente, na cidade de Cuzco, no sul do país, partidários de Humala e de García se enfrentaram a tiros, deixando o saldo de três feridos. Conflitos semelhantes têm sido registrados em várias regiões do interior, onde a candidatura de Humala é mais forte, mas os apristas têm um aparelho partidário mais organizado. Num país como o Peru, onde a população tem vivas na lembrança as operações de sabotagem eleitoral do sanguinário grupo maoísta Sendero Luminoso, rumores e insinuações de planos violentos podem ter efeitos devastadores.Principalmente para as populações que vivem nas províncias, onde as informações chegam distorcida e a presença das forças de segurança é menor, avaliam analistas políticos.Como a votação no interior está tecnicamente empatada, enquanto García vence com folga nos grandes centros, Humala seria o maior prejudicado com esses rumores.Onda de rumoresEm meio a crescente onda de rumores, o ex-chefe de inteligência peruana Vladimiro Montesinos - pivô do escândalo que resultou na queda de Alberto Fujimori, em 2000 -, lançou da cadeia um livro no qual ele "revela" que Humala foi fabricado por Cuba e Venezuela, para que Fidel Castro e Hugo Chávez tenham o controle do Peru. Mas a campanha de Humala também contribuiu para a guerra suja. Em um dos episódios mais conturbados da campanha, o candidato nacionalista apresentou cópias de uma série de e-mails supostamente trocados entre assessores de García e do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, em liberdade condicional no Chile. As mensagens indicavam que García se reuniu com Keiko e Santiago Fujimori - respectivamente, filha e irmão do ex-presidente. Na reunião, García teria garantido anistia para Fujimori em troca dos votos do fujimorismo no segundo turno."Não houve nenhuma reunião e nosso movimento mantém sua neutralidade em relação ao segundo turno", desmentiu enfaticamente Keiko, a congressista eleita com mais votos no primeiro turno.Efeito ChávezColocando mais fogo na troca de acusações, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, voltou a se intrometer na campanha peruana, tachando García de "bandido" e "irresponsável". Chávez também reiterou que, se o candidato aprista vencer as eleições, a Venezuela romperá relações diplomáticas com o Peru.García respondeu que "a pior dor de cabeça para a América do Sul é Hugo Chávez", e esclareceu que ele não apóia a adesão a nenhum eixo na região, "nem com Washington nem com Chávez".Dias após anunciado o resultado do primeiro turno, o presidente venezuelano já havia trocado farpas com García. A presença de Chávez foi uma constante nas eleições peruanas. Seu apoio a Ollanta Humala, no entanto, serviu para minar a confiança do eleitor no candidato. Não por acaso, nos últimos dias de campanha, Humala esforçou-se para desvencilhar sua imagem da do líder venezuelano.Sobre as denúncias de supostas entradas de venezuelanos e cubanos no Peru para participar do processo eleitoral, ministro da Defesa peruano, Marciano Rengifo, alertou que o Governo está atento e que antes investigará se a informação procede.

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