Campanha presidencial começa no Afeganistão

Os candidatos à presidência do Afeganistão realizaram grandes comícios na capital Cabul neste domingo, marcando o início da campanha eleitoral que vai escolher o sucessor de Hamid Karzai, no momento em que o assassinato de auxiliares de um candidato com boas chances de vencer o pleito deixa clara as ameaças de segurança que cercam a votação.

Agência Estado

02 de fevereiro de 2014 | 10h05

Homens armados mataram, no sábado, dois auxiliares de Abdullah Abdullah, ex-ministro de Relações Exteriores, na cidade de Herat, informaram autoridades.

O ataque aconteceu enquanto o país se prepara para sua primeira transferência democrática de poder. As eleições de 5 de abril são vistas como um importante teste para a eficiência das forças de segurança afegãs, compostas por 350 mil homens, já que as tropas internacionais se preparam para deixar o país.

A disputa entre Cabul e Washington sobre se uma pequena força composta por soldados norte-americanos permanecerá no país além de 2014 deve dominar a campanha eleitoral.

Karzai deve assinar um acordo bilateral de segurança ainda neste ano, que deve permitir que cerca de 10 mil soldados norte-americanos sejam enviados para o país após a saída dos militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em dezembro.

Mas as negociações estão paralisadas e é possível que seu sucessor tenha de concluir as negociações, prejudicando as relações com os norte-americanos, os principais doadores de recursos para o Afeganistão.

Neste domingo, milhares de pessoas, a maioria homens, se reuniram em enormes salões de festa onde candidatos fizeram discursos pedindo votos. A segurança, de responsabilidade do Exército Nacional, foi reforçada nesses locais.

O Afeganistão tem registrado forte movimentação insurgente nos últimos 12 anos. A maior parte das tropas dos Estados Unidos e da Otan deve sair do país até o final deste ano, deixando os afegãos a cargo se sua própria segurança.

Karzai governa o país desde a queda do Taleban, em 2001, tendo sobrevivido a tentativas de assassinato e à complicada vida política do país. Ele não pode concorrer a um terceiro mandato e a previsão é que o novo presidente do país seja escolhido durante um segundo turno presidencial, no final de maio.

Em declarações que devem provocar novos atritos com os aliados da Otan, Karzai criticou a condução da aliança do conflito no país em entrevista ao britânico Sunday Times, além de descrever o integrantes do Taleban como "irmãos" e os Estados Unidos como "rivais".

O presidente afegão disse ao jornal que "a missão da Otan, liderada pelos Estados Unidos, não foi um sucesso no que diz respeito à promoção da segurança, particularmente em Helmand", reduto de militantes taleban no sul do país.

"Temos um imenso respeito pelas vidas perdidas de soldados da Otan no Afeganistão e fortes divergências em relação à forma como os Estados Unidos conduziram suas ações no Afeganistão", disse ele.

Autoridades afegãs e ocidentais dizem que todos os 11 candidatos apoiam o acordo bilateral de segurança e, com exceção de Abdullah, evitam dizer isso em público por medo de um confronto com Karzai.

Insurgentes do Taleban ameaçaram realizar ataques durante a campanha, o que representa um desafio para a polícia e as Forças Armadas afegãs, que contam com pouco apoio das decrescentes forças da Otan no país.

Fonte: Dow Jones Newswires.

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