REUTERS/Mariana Bazo
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Campanha presidencial peruana se encerra com Keiko  como líder

Batalha mais acirrada das eleições de domingo passa a ser entre candidatos de centro e de esquerda pela vaga restante no segundo turno; candidata fujimorista segue na frente, embora ainda possa ter candidatura impugnada pela Justiça

O Estado de S. Paulo

07 Abril 2016 | 20h32

LIMA - Os principais candidatos à presidência do Peru encerraram na noite de ontem a campanha para as eleições de domingo em meio a uma disputa acirrada entre o centrista Pedro Pablo Kuczynski e a esquerdista Verónika Mendoza por um lugar no segundo turno contra a favorita Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, preso e condenado por crimes contra a humanidade.

 

A três dias da eleição, o Júri Nacional de Eleições (JNE) - máxima autoridade eleitoral do país - ainda tem de decidir sobre um recurso extraordinário que pode impugnar a candidatura de Keiko, após ter excluído com base na nova lei eleitoral dois dos principais postulantes ao cargo: Cesar Acuña e Julio Guzmán. 

Partidários da herdeira de Fujimori atribuem a tentativa de impugnação ao presidente Ollanta Humala, cujo candidato Daniel Urresti desistiu da disputa em virtude das baixas intenções de voto - um desempenho abaixo da cláusula de barreira poderia extinguir o registro do Partido Nacionalista. 

Na terça-feira, 50 mil pessoas saíram às ruas de Lima para protestar contra uma possível eleição de Keiko. Um dos principais argumentos de seus críticos contra sua eleição é um possível perdão presidencial a seu pai, que cumpre pena de 25 anos de prisão após liderar um governo que perseguiu dissidentes, fechou o Congresso e restringiu liberdades individuais. Outra acusação frequente é a de que o pai ditaria as regras do governo da filha. 

A eleição será monitorada pelo Centro Carter e pela Comissão Parlamentar das Américas (Copa). As duas entidades já demonstraram ao JNE a preocupação com a nova legislação eleitoral, que pode impugnar candidatos até a véspera da eleição. 

Essas críticas se somam às feitas pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o uruguaio Luis Almagro, que qualificou a eleição como “semidemocrática”. As declarações foram rejeitadas pelos principais candidatos. Já Humala prometeu não se pronunciar, porque “o Estado peruano responde a instituições, não a pessoas.”

Nos últimos dias, Keiko tem redobrado os esforços para se desvencilhar do pai. Ela chegou a assinar um documento no qual se compromete com o “respeito irrestrito à ordem democrática e aos direitos humanos. Além disso, afirmou que lutará de maneira drástica contra a corrupção, respeitará a independência entre os poderes e não usará o cargo para beneficiar nenhum parente. 

O indulto a Fujimori foi discutido também pelos outros candidatos. Kuczynski disse que permitiria que o ex-presidente cumprisse o restante da pena em prisão domiciliar em virtude de sua saúde já debilitada. A deputada Verónika Mendoza rejeitou qualquer perdão ao ex-presidente. 

“Mudo de ideia sobre em quem votar a cada meia hora”, disse o segurança privado Felix Castillo, em um shopping de Lima. / EFE e REUTERS

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