Campanhas de Obama e McCain trocam acusações

A troca de insultos - iniciada durante o fim de semana pela campanha do republicano John McCain - ganhou força hoje na corrida presidencial dos Estados Unidos. A campanha do democrata Barack Obama ressuscitou as ligações do rival com um escândalo financeiro que lhe rendeu uma reprimenda dos colegas de Senado, duas décadas atrás.Os republicanos acusaram Obama de ter relações com um radical da década de 1960. A campanha democrata reagiu, com um "documentário" de 13 minutos sobre a relação de McCain e o magnata Charles Keating. Na época McCain foi considerado um dos "cinco de Keating", parlamentares investigados em um painel do Senado por supostamente buscarem vantagens para Keating. O vídeo qualifica o episódio como um olhar sobre o "passado, presente e futuro econômico de McCain".A grave crise financeira tem derrubado o republicano de 72 anos nas pesquisas, semanas antes das eleições presidenciais de 4 de novembro. A campanha de McCain dá sinais de que pretende mudar o foco, para retomar espaço.A escalada dos ataques começou no sábado, quando a candidata à vice Sarah Palin disse em três oportunidades que Obama vê os Estados Unidos de modo tão errado que anda "com terroristas que atacariam seu próprio país". Os comentários referiam-se à ligação de Obama com Bill Ayers, um radical na década de 1960. Ayers é um dos fundadores do Weather Underground, grupo acusado por atentados ainda quando Obama era uma criança. Hoje, Sarah voltou a falar da ligação de Obama com um "ex-terrorista", durante um comício na Flórida.Obama rechaçou as atividades radicais do passado de Ayers, afirmando que os dois não são próximos. Obama e Ayers participaram da mesma instituição de caridade e moram perto em Chicago. Ayers também organizou um evento em uma campanha de Obama no meio da década de 1990.O diretor de comunicação da campanha de Obama, Robert Gibbs, acusou os rivais de tentarem mudar o foco ao trazer esse fato ao debate. Gibbs lembrou que Obama tinha apenas oito anos quando os atentados ocorreram.Já o ataque dos democratas se refere a um episódio ocorrido poucos meses após McCain iniciar sua carreira no Senado, no fim da década de 1980. O senador por Arizona participou de dois encontros com funcionários encarregados da regulação bancária a pedido de Keating, seu amigo. Keating foi depois condenado por fraude. McCain qualificou o caso como "o pior erro de minha vida". Um painel do Senado concluiu que McCain teve um papel secundário no escândalo. Porém, o senador foi censurado pelo seu "parco julgamento".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.