Campanhas de Obama e Romney ampliam estratégia de acusações

Propaganda republicana diz que presidente prioriza financiadores; democratas chamam adversário de "destruidor de empregos"

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h02

Um mês antes do lançamento formal de suas candidaturas à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e Mitt Romney já estão engalfinhados em uma briga verbal para definir quem é o "campeão" e o "vilão" da classe média americana. O democrata Obama ataca Romney como destruidor de empregos no país e investidor em paraísos fiscais. O republicano Romney acusa Obama de beneficiar capitalistas doadores para sua campanha e de não acreditar na livre iniciativa.

Os ataques verbais foram suspensos desde sexta-feira, quando ambos tiveram o cuidado de demonstrar respeito e solidariedade às vítimas do massacre de Aurora, no Colorado. Mas as propagandas pela televisão e os discursos com acusações recíprocas serão retomados nesta semana. Em especial nos Estados onde o eleitorado não definiu para qual lado pender, como o próprio Colorado. Entre hoje e quarta-feira, Obama fará comícios em Reno (Nevada), San Francisco (Califórnia), Portland (Oregon), Seattle (Washington) e New Orleans (Louisiana)

Recente estudo da Wesleyan Media Project constatou conteúdo negativo em 70% das propagandas veiculadas pelas campanhas de Obama e de Romney desde o início do ano. No mesmo período da eleição de 2008, os ataques aos candidatos e aos partidos rivais representavam apenas 9,1% dos anúncios. Outra pesquisa, do Instituto Kantar Media, concluiu que em 86% das propagandas de Obama há mensagens anti-Romney. As críticas ao presidente foram verificadas em 94% dos anúncios de Romney.

A maioria dessas propagandas é desenvolvida e paga pelos chamados Super PAC, empresas criadas para dar apoio às candidaturas e autorizadas a receber doações superiores a US$ 2.500. "Uma das razões para as campanhas serem tão negativas está no extraordinário envolvimento de grupos de interesse, que aumentaram suas atividades em 1.100% neste ano em comparação com 2008", afirma Erika Franklin Fowler, co-diretora do Wesleyan Media Project.

Mas foi da própria campanha de Obama a origem da propaganda "Firmas". Enquanto Romney canta desafinadamente o hino informal dos EUA, America the Beautiful, surgem cenas de fábricas e escritórios parados e títulos de jornais e revistas sobre as iniciativas de Romney, como empresário e governador de Massachusetts, que resultaram na transferência de empregos para México, China e Índia. Em seguida, as imagens são de praias, com manchetes em destaque sobre os depósitos do candidato em paraísos fiscais. "Mitt Romney não é a solução", finaliza a propaganda.

Romney igualmente valeu-se da voz ritmada de Obama em um comício em Nova York para acusá-lo de promover o "capitalismo dos amigos íntimos". A propaganda expõe a atual taxa de desemprego de 8,2% no país e a mensagem: "Quem Obama está ajudando? Seus amigos. Muito amor para a classe doadora. Mas, e a classe média?".

Na semana passada, a briga engrossou nos discursos. Nas seis cidades que visitou em campanha, Obama bateu nos fatos de Romney ter comandado a Bain Capital, empresa dedicada à compra de companhias em dificuldade para sua reestruturação ou fechamento, e resistir em apresentar suas declarações de Imposto de Renda anteriores a 2010. Romney respondeu que não daria oportunidade para a campanha do democrata pinçar dados e distorcê-los, acusou Obama de ter se portado "abaixo de sua dignidade de presidente" e exigiu desculpas.

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