Campesinos leais a Evo cercam cidade opositora na Bolívia

Armados com dinamite, partidários do presidente pressionarão opositores de Santa Cruz a assinarem acordo

Agência Estado e Associated Press,

23 de setembro de 2008 | 13h54

Milhares de campesinos leais ao presidente Evo Morales cercaram nesta terça-feira, 23, a cidade de Santa Cruz, principal bastião dos oposicionistas bolivianos. Enquanto isso, as negociações que buscam pacificar o país seguem emperradas, após uma onda de violência política deixar 15 mortos no início do mês.   Veja também: Opositores 'não têm direito' de vetar reformas, diz governo Evo Bolívia pode rachar, mas ninguém se beneficiaria, diz analista Bolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia  Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações     Armados de paus, estilingues, dinamite e algumas escopetas, os campesinos anunciaram que marcharão até Santa Cruz para pressionar os líderes regionais opositores, disse o dirigente Fidel Surco. Os manifestantes apóiam o projeto constitucional impulsionado por Evo.       Os governadores de Santa Cruz, Beni e Tarija se recusaram a firmar o documento se não houvesse modificações em outros capítulos do texto. Morales se recusa a fazer isso, pois argumenta que seria "desconhecer o trabalho da Assembléia Constituinte."       Para o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, os governistas tentam criar um clima de tensão para obrigar o bloco opositor a negociar. Costas assegurou que não procurará um enfrentamento com os rivais políticos.Há duas semanas, grupos opositores ocuparam e saquearam escritórios do governo em Santa Cruz, em uma onda de protestos que se estendeu por quatro regiões autonomistas. O bloco opositor de quatro governadores se reduziu a três, após o governador de Pando, Leopoldo Fernández, ter a prisão decretada.   Fernández foi acusado de instigar uma matança de campesinos em seu Departamento (Estado), o que ele nega. As divergências entre governo e oposição se centram, cada vez mais, no processo de autonomia impulsionado pelo governo. Os oposicionistas se recusam a aceitar o texto, que prevê entre outros pontos a reeleição presidencial.  

Tudo o que sabemos sobre:
Bolíviacrise na Bolívia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.