Canadá convida FHC para abrir Cúpula das Américas

O primeiro ministro do Canadá, Jean Chrtien, convidou o presidente Fernando Henrique Cardoso para fazer o discurso de abertura da III Cúpula das Américas, que ocorre em Quebec, entre os dias 20 e 22 de abril. O gesto político tenta amenizar o clima entre os dois países, depois de um período de turbulência, por causa da disputa comercial entre as fabricante de jatos Embraer e Bombardier e da recente suspensão de importação de carne bovina brasileira pelo Canadá. O encontro entre os 34 presidentes do continente, menos Cuba, vai discutir, entre outros temas, a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).Nesta terça-feira, o representante de Chrtien, Marc Lortie, esteve em Brasília para formalizar o convite ao chanceler Celso Lafer. Mas o primeiro-ministro canadense já havia feito o convite no dia 9, quando telefonou para o presidente brasileiro. Além de Fernando Henrique, outros três chefes de Estado farão discursos na sessão de abertura da Cúpula das Américas: Chrtien, o presidente do Chile, Ricardo Lagos, anfitrião da última cúpula, e o presidente de El Salvador, Francisco Flores, porque esse país exerce a presidência pró-tempore do bloco centro-americano.O diplomata canadense disse que os 34 presidentes deverão reafirmar o compromisso de iniciar a Alca em 2005. "O que o Chile propôs foi a o fim das negociações e não o início da Alca, mas isso depende de consenso". Para ele, o resultado do encontro será uma ferramenta para que o presidente norte-americano, George W. Bush, consiga aprovar o fast-track (via rápida) no Congresso, para poder negociar a Alca.O maior desafio da Cúpula das Américas, reconheceu Lortie, será equalizar as diferentes perspectivas dos países com relação a Alca. Algumas economias, como o próprio Canadá, cujo PIB depende em 45% das exportações, precisam fomentar o livre comércio, outros, como Brasil e Argentina, por exemplo, dependem menos do comércio exterior e estão comprometidos com a defesa da indústria doméstica. Há ainda um terceiro grupo de países, como os caribenhos, cujo orçamento depende em grande parte das tarifas de comércio. De acordo com Lortie, a Alca será o tema central do encontro, mas não o único. Os presidentes vão discutir um plano de ação democrática para fortalecer o sistema eleitoral, financiar partidos e modernizar os Estados. "Sempre há raízes de sistemas políticos autoritários, portanto é importante que a mensagem seja clara", afirmou.Lortie destacou o papel de Fernando Henrique na consolidação da democracia no continente e elogiou a cláusula democrática do Mercosul. "A perspectiva do presidente Fernando Henrique Cardoso na construção hemisférica tem uma importância central". Segundo ele, há consenso em os 34 países do continente para estender a cláusula democrática do Mercosul à Alca. "Sem democracia, não há cooperação, portanto não há Alca".O embaixador do Canadá no Brasil, Jean Pierre Juneau, garantiu que, por enquanto, o Canadá não vai utilizar o direito que adquiriu na OMC de retaliar o Brasil, por causa da disputa comercial entre Embraer e Bombardier. Segundo ele, as retaliações não modificam as condições da Embraer, que o Canadá acusa de receber subsídios, mas prejudica outros negociadores. "O exportador de sapatos no Brasil e o importador de suco de laranja no Canadá não têm nada a ver com isso", disse.Ele garantiu, porém, que o Canadá poderá utilizar esse direito quando lhe convenha. Segundo o embaixador, o Canadá decidiu mudar de estratégia e igualar as condições da Bombardier com as da Embraer, por meio de subsídios, como no caso da venda para a empresa americana Wisconsin. "Só vamos voltar a negociar bilateralmente quando a OMC se manifestar com relação à legalidade do novo Proex, porque sobre isso não vamos chegar a um acordo. Se a OMC disser que o Proex está correto, nos calamos", prometeu.

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