Canadá faz acordo com Bayer sobre o Cipro

Depois de cogitar a compra de um genérico do antibiótico Cipro, usado no tratamento do antraz, o governo canadense teve de voltar atrás hoje e concordar em recorrer apenas à gigante farmacêutica Bayer para fornecer o medicamento no caso de uma emergência. Segundo o acordo, as autoridades canadenses se comprometeram em utilizar genéricos somente se a Bayer não conseguir atender à demanda. Em troca, a empresa concordou em não processar o Ministério por quebra da patente do Cipro. Mesmo assim, o ministro da Saúde do Canadá, Allan Rock, não se mostrou satisfeito com a decisão, apesar de ter afirmado que pretende respeitar a patente do antibiótico, que vigora até 2003. De acordo com a imprensa canadense, o ministro alegou que a Bayer estaria escondendo sua deficiência para produzir quantidades suficientes do medicamento. "Estão brincando com a gente. Todo mundo sabe que eles têm um problema mundial de fornecimento", afirmou Rock. O ministro também defendeu seus subordinados por terem feito duas encomendas do medicamento genérico à farmacêutica canadense Apotex, na semana passada. "Descobrimos, na semana passada, que a Bayer não consegue atender à nossa demanda", disse. A farmacêutica Apotex, que produz o genérico do Cipro, disse que tem capacidade para fornecer 1 milhão de pílulas genéricas do antibiótico até o dia 8 de novembro, conforme pedido pelo ministério da Saúde do Canadá, a um custo de pouco menos de US$ 1,00 por pílula. Já a Bayer divulgou, na semana passada, por meio de um porta-voz, que a empresa tem "milhões e milhões" de pílulas de Cipro guardadas em armazéns canadenses, prontas para serem distribuídas. Numa tentativa de comprovar sua capacidade, a Bayer distribuiu 200.000 pílulas de Cipro gratuitamente para trabalhadores da saúde e de outros setores que estiveram expostos ao antraz. A empresa também garantiu que tem capacidade para entregar uma quantidade maior a um preço de US$ 1,30 por pílula dentro de 48 horas depois de um eventual ataque. Se a promessa não for cumprida, a Ministério terá o direito de usar um estoque da versão genérica do antibiótico.Na sexta-feira, o presidente da Apotex, Jack Kay, afirmou que o governo canadense recorreu à sua empresa porque a Bayer não estava conseguindo entregar o pedido completo. O vice-presidente executivo da Bayer, no entanto, negou que tenha recebido qualquer encomenda do Ministério e insistiu que a empresa tem condições para atender à demanda.O acordo entre o governo canadense e a Bayer firmou que a empresa será encarregada do fornecimento do antibiótico para o Ministério da Saúde em casos de emergência. Um comunicado do Ministério disse apenas que o órgão pretende "lidar apropriadamente" com o pedido feito à Apotex. Segundo informações da imprensa canadense, o Ministério efetuou a compra do genérico da Apotex para manter um estoque do medicamento, no caso, improvável, de uma epidemia de antraz na região.A polêmica em torno da patente da Bayer sobre a Cipro também surgiu nos Estados Unidos, onde o senador democrata Charles Schumer, de Nova York, fez um pedido na semana passada para que o governo autorizasse outras empresas farmacêuticas a produzir versões mais baratas do medicamento, em função dos casos da doença nos Estados de Flórida, Washington e Nova York. Autoridades norte-americanas disseram ter o direito de abrir uma exceção na patente da Bayer sobre o Cipro, mas ainda não confirmaram nenhuma ação neste sentido.A McKesson Corp, uma das maiores atacadistas de medicamentos dos EUA, afirmou, na sexta-feira, que teve de racionar sua produção de Cipro para varejistas e hospitais porque a Bayer não estava conseguindo acompanhar a demanda, que chegou a cerca de sete vezes a mais do que de costume.

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