Canadá: Sobe a 20 cifra de mortos em descarrilamento

O diretor-presidente da empresa cujo trem descarrilou e explodiu no fim de semana no Canadá atribuiu a tragédia a um engenheiro que não teria acionado corretamente os freios da composição. Enquanto isso, mais cinco corpos foram encontrados no local da explosão, elevando a 20 o número de mortes confirmadas. Trinta pessoas continuam desaparecidas e as autoridades locais comunicaram aos familiares que é improvável que elas sejam encontradas com vida.

AE, Agência Estado

10 de julho de 2013 | 21h45

Edward Burkhardt, diretor-presidente da Rail World Inc., esteve no local nesta quarta-feira e disse que o engenheiro ferroviário em questão está suspenso sem direito a salário.

"Acho que ele fez alguma coisa errada. Acreditamos que ele tenha acionado os freios de mão, mas a questão é se ele os acionou corretamente", disse Burkhardt. "Ele afirmou ter acionado 11 freios manuais, mas nós achamos que não é verdade. Inicialmente nós acreditamos nele, mas agora não mais."

Além dos 20 mortos, a tragédia de Lac-Megantic, na província canadense de Québec, deixou 30 pessoas desaparecidas e destruiu 30 edifícios no centro da cidade de 6 mil habitantes. Até agora, apenas uma das vítimas foi identificada.

Ontem, a polícia canadense anunciou a abertura de uma investigação criminal do caso.

Na noite de terça-feira, rodeado de repórteres ainda no aeroporto de Trudeau, em Montreal, Burkhardt deu a entender que os bombeiros que apagaram o incêndio pouco antes da explosão também são culpados do acidente.

"Nós temos responsabilidade pelo acidente. Não temos responsabilidade total, temos responsabilidade parcial", afirmou Burkhardt.

Hoje, entretanto, Burkhardt disse ao visitar Lac-Megantic que um funcionário não acionou corretamente os freios da composição que provocou o acidente.

"É questionável se os freios foram usados corretamente", afirmou o Burkhardt. "Não acredito que um funcionário tenha removido os freios. Houve falha em acionar os freios corretamente."

Na manhã desta quarta-feira, o inspetor da polícia de Québec, Michel Forget, explicou que o número de pessoas desaparecidas vinha mudando porque a todo momento se descobre que pessoas consideradas desaparecidas estão vivas. O inspetor descartou o "terrorismo" como causa da tragédia, mas disse que um gama de outras possibilidades continuam sendo investigadas, incluindo negligência criminosa.

Também nesta quarta-feira, a primeira-ministra de Québec, Pauline Marois, criticou a operadora do trem pela demora em reagir e por não se comunicar com o público. Ela anunciou um fundo de US$ 60 milhões para ajudar as vítimas e a financiar a reconstrução da cidade.

No sábado, o trem, com carregamento de petróleo, descarrilou e causou explosões que destruíram o centro da cidade de Lac-Megantic. O trem, supostamente a caminho de Maine, pertence à empresa Montreal Maine & Atlantic que possui mais de 800 quilômetros de trilhos nas regiões de Maine, Vermont, Québec e New Brunswick. A empresa carregou, aproximadamente, 3 milhões de barris de petróleo através da cidade no ano passado. Cada vagão tem capacidade para 30 mil barris. Fonte: Associated Press.

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