Canal iraniano desmente libertação de Sakineh

Iraninana conenada à morte foi apenas gravar programa de televisão. ONG havia anunciado soltura

Efe

10 de dezembro de 2010 | 08h25

Televisão estatal iraniana divulgou fotos de Sakineh em liberdade.

 

TEERÃ - A emissora estatal iraniana Press TV desmentiu a suposta libertação de Sakineh Mohamadi Ashtiani, mulher condenada à morte por adultério e cumplicidade na morte do marido, anunciando que ela só foi tirada da prisão para fazer a reconstituição do crime para um programa de televisão.

 

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Na quinta-feira, a presidente do Comitê Internacional Contra Execuções, Mina Ahadi, afirmou que a iraniana havia sido libertada, embora também não houvesse confirmações. Além de Sakineh, seu filho, Sajjad Ghaderzadeh, seu advogado, Javid Houtan Kian, e dois jornalistas teriam sido libertados.

 

As afirmações da ONG foram feitas com base em fotos da iraniana em liberdade divulgadas pela emissora. A Press TV, porém, desfez as expectativas sobre a libertação de Sakineh, afirmando que ela só foi levada à uma casa e Osku, no Azerbaijão, para gravar a reconstituição do crime para um prograna a ser exibido às 15h35 (horário de Brasília) desta sexta.

 

"A mulher acusada de assassinato e adultério acompanhou uma equipe da emissora à sua casa para relatar os detalhes do assassinato do seu marido no cenário do crime. Ao contrário do publicado amplamente pela imprensa internacional sobre a libertação de Sakineh, o certo é que uma equipe de produção em colaboração com a 'PressTV' chegou a um acordo com a Justiça para recriar com ela a cena do crime", informa uma nota publicada no site da emissora.

 

O canal assinala que a história completa será transmitida dentro do programa Irã Today, que veiculará testemunhos do filho e do advogado de Sakineh. Ainda na quinta, a televisão iraniana exibiu comerciais chamando para o programa, nos quais Sakineh admitia ter planejado a morte do marido.

 

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Ela foi condenada a 99 chibatadas. Depois, esta pena foi convertida em morte por apedrejamento.

 

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

 

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A sentença de apedrejamento foi suspensa, mas ainda pode ser retomada pela Justiça. Um tribunal de apelações acrescentou ao caso a acusação de conspiração para o assassinato do marido, da qual ela continua condenada a morte por enforcamento.

 

O Irã raramente realizou execuções por apedrejamento nos últimos anos. Em 2009, porém, o país executou 388 pessoas, ficando atrás apenas da China, segundo dados da ONG Anistia Internacional. A maioria delas foi enforcada.

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