AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

Candidata a dirigir a CIA promete não retomar programas de tortura

Gina Haspel disse que sob sua direção agência 'nunca voltará a adotar (tais tipos de) interrogatórios' - em 2002 ela dirigiu prisão secreta na Tailândia onde suspeitos de pertenceram à Al-Qaeda eram agredidos; indicação divide democratas e republicanos

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2018 | 13h52

WASHINGTON - Gina Haspel, nomeada pelo presidente Donald Trump para dirigir a Agência Central de Inteligência (CIA), assegurou nesta quarta-feira, 9, diante de membros do Senado dos Estados Unidos, que a agência não retomará os programas de tortura de prisioneiros sob a sua liderança.

Indicada para comandar a CIA tem nome ligado a torturas

Gina enfrentou grande oposição após sua nomeação em razão de seu trabalho em uma prisão secreta da CIA na Tailândia em 2002, onde supostos membros da rede extremista Al-Qaeda foram submetidos a torturas.

"Por ter servido neste período conturbado, posso oferecer meu compromisso pessoal, claro e sem reserva, de que sob minha liderança na CIA não será restabelecido tal programa de detenção e interrogatórios", declarou na audiência perante o Comitê do Senado.

"Em retrospecto, está claro (...) que a CIA não estava preparada para conduzir um programa de detenções e interrogatórios", acrescentou.

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Gina afirmou que, agora, a CIA, ao contrário dos anos após os ataques de 11 de setembro de 2001, está sujeita a um manual militar, que proíbe especificamente métodos de tortura, tais como o submarino, ou simulação de afogamento.

"Apoio as mais altas normas morais, às quais este país decidiu se apoiar. Nunca, nunca voltaria a adotar o programa de interrogatórios da CIA", prometeu. "Eu apoio a lei e não apoiaria uma mudança da lei."

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Posso oferecer meu compromisso pessoal, claro e sem reserva, de que sob minha liderança na CIA não será restabelecido tal programa de detenção e interrogatórios
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Gina Haspel, Indicada por Trump para comandar a CIA

Questionada se retomaria o programa e se permitiria a tortura, caso o presidente Donald Trump solicitasse, Gina garantiu que recusaria.

"Não permitirei que a CIA realize atividades que considero imoral, mesmo que sejam tecnicamente legais. Não permitirei isso, absolutamente", acrescentou. "Todo mundo vê os Estados Unidos como um exemplo para o mundo, e devemos respeitar isso. E a CIA está incluída."

Gina Haspel, de 61 anos, que durante três décadas participou de operações secretas da CIA - onde atualmente é subdiretora - dirigiu ao menos durante parte de 2002 uma prisão secreta na Tailândia, onde suspeitos de pertencerem à Al-Qaeda eram frequentemente torturados.

Durante o programa de torturas - vigente entre 2002 e 2005 -, a CIA levou os detentos para locais secretos ao redor do mundo e submeteu alguns a agressões e torturas que incluíam uma técnica de simulação de afogamento e elevados níveis de estresse.

Mais tarde, como funcionária de alta hierarquia da CIA, ela foi apontada como a responsável por destruir vídeos que mostravam tais práticas.

Gina tem o apoio total de Donald Trump. "Minha muito respeitada indicada para ser diretora da CIA, Gina Haspel, tem sido muito criticada porque foi muito dura com os terroristas", tuitou Trump esta semana.

Entre os 13 membros da comissão do Senado (sete republicanos e seis democratas), vários demonstram ceticismo.

Quatro democratas - Kamala Harris, Dianne Feinstein, Ron Wyden e Martin Heinrich - solicitaram ao diretor de Inteligência Nacional, Dan Coats, que libere todos os documentos confidenciais relativos ao papel de Gina nos programas de interrogatório da CIA.

Dianne está preocupada com a possibilidade de "promover uma pessoa que esteve envolvida no programa de tortura à frente da CIA, a agência responsável por um dos capítulos mais sombrios da história (dos EUA)".

Desde 2016, Trump faz declarações contraditórias sobre a tortura. Ele a defende a título pessoal, mas deixou para o secretário de Defesa, Jim Mattis, a decisão de utilizá-la, e este é contrário à medida.

O resultado da audiência deve influenciar a votação sobre a indicação no Senado, que os republicanos esperam que aconteça até o fim de maio. O partido do presidente tem maioria de 51 a 49 no Senado.

Em meio à polêmica sobre sua indicação por Trump, Gina Haspel chegou a sugerir a retirada de seu nome, de acordo com a imprensa americana, mas foi convencida por assessores da Casa Branca a seguir adiante. / AFP

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