Candidata a vaga de NY no Senado, Caroline já sente o peso das críticas

Para muitos, filha de JFK é apenas uma ricaça oportunista que tem pegado carona no carisma da família Kennedy

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 00h00

Após todas as fanfarras com que o seu nome foi lançado algumas semanas atrás para a vaga de senadora pelo Estado de Nova York, Caroline Kennedy, filha do presidente assassinado John Kennedy, está caindo na realidade das durezas da política. Adversários da escolha de Caroline já lançaram uma contra-ofensiva e ela tem sido alvo de uma saraivada de críticas. As principais são as de que Caroline, com 51 anos, é uma ricaça oportunista que nunca exerceu um trabalho pago, toma carona no carisma do falecido pai, cerca de sigilo suas finanças pessoais e é incapaz de encarar uma entrevista aberta com a imprensa.A vaga para senador por Nova York será aberta quando a atual ocupante, Hillary Clinton, for confirmada pelo Senado como secretária de Estado do presidente eleito, Barack Obama. Em Nova York, como em outros Estados americanos, é o governador - no caso, o democrata David Paterson - quem escolhe um novo senador, quando uma vaga se abre no meio de um mandato.Para complicar a situação de Caroline, o apoio que ela recebeu do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, vem se revelando uma faca de dois gumes. Bloomberg, o bilionário dono da empresa de serviços financeiros do mesmo nome, é um ex-republicano (hoje independente) e conhecido pelas suas táticas de trator quando deseja alcançar algum objetivo político. Deixou seqüelas, por exemplo, a sua bem-sucedida campanha para que fosse permitido um terceiro mandato na prefeitura de Nova York - claramente em benefício próprio, já que Bloomberg quer se candidatar pela terceira vez. Um dos muitos constrangimentos pelos quais vem passando Caroline é o de que ela não foi capaz até agora de afirmar categoricamente que apoiaria um candidato democrata nas próximas eleições para prefeito de Nova York.Para o democrata Sheldon Silver, presidente da Assembléia Estadual de Nova York, Paterson deveria refletir bem se Caroline como senadora não vai sentir "que seu primeiro compromisso é com o prefeito de Nova York, e não com o governador que a escolheria". Paterson, por sua vez, disse que não tomou ainda nenhuma decisão, mas assessores seus vazaram à imprensa um certo desconforto do governador com o clima de "fato consumado" que se criou em torno do nome da filha de John Kennedy.Caroline, porém, tem um cacife poderoso, que inclui a aura mágica do nome Kennedy e a proximidade com o presidente eleito Barack Obama. Seus defensores apontam a sua competência em funções públicas que ela exerceu, principalmente na área de educação.

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