CANDIDATA É 'PUNIDA' COM O DIVÓRCIO

Mulheres terão 10% das vagas no Parlamento

O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2013 | 02h03

Ola Thiabat, a jovem candidata a uma vaga no Parlamento da Jordânia pelo distrito de Badia do Sul nas eleições de amanhã, foi "punida" com o divórcio por sua ousadia em entrar para a política, publicou ontem o diário Jordan Times.

O aumento da cota feminina no Parlamento foi uma das concessões feitas pelo rei Abdullah para evitar que a onda da Primavera Árabe provocasse um tsunami em seu reinado, como no Egito. Em resposta às demandas da população descontente, o monarca demitiu quatro ministros nos últimos dois anos e permitiu que uma comissão eleitoral independente acompanhe o registro dos candidatos e a votação.

Para as mulheres, no entanto, as reformas são ainda modestas. Elas concorrem a apenas 10% dos 150 assentos na Câmara Baixa. Segundo Laila Naffa, ativista e diretora da Organização das Mulheres Árabes, que luta pela igualdade de gênero na Jordânia, a representação feminina não é suficiente para promover mudanças. A demanda é a de que pelo menos 30% dos assentos sejam reservados para elas.

Segundo Ola, uma das 215 mulheres a se candidatar, no início, o marido apoiara a decisão. "Quando decidi concorrer, ele me deu apoio e pagou as despesas (para o registro da candidatura), até que a família pediu a ele que me convencesse a desistir em favor de um parente", disse Ola ao Jordan Times, em uma conferência da Organização das Mulheres Árabes, no domingo.

Diante da negativa, ele se divorciou, Ola deu de ombros. Na Jordânia, como em muitos países muçulmanos, os casamentos são arranjados e o divórcio é uma iniciativa exclusiva do homem e não depende da aceitação da mulher. Para ela, será "o início de uma nova vida". "Estou seguindo meu sonho", disse Ola, mãe de quatro filhos.

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