Candidata tenta mostrar força contra o tráfico

Segunda colocada nas pesquisas de opinião, a candidata governista à presidência do México, Josefina Vázquez Mota, tem - de acordo com analistas - ao menos três grandes obstáculos para alavancar sua candidatura: impor-se na questão do narcotráfico, superar o machismo da classe política mexicana e convencer o presidente Felipe Calderón, que nas prévias do PAN apoiou outro candidato, a aderir plenamente a sua campanha.

O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 03h06

"Ela tem muito a aprender ainda sobre o narcotráfico", diz o professor de Ciência Política da Universidade Ibero-Americana Carlos Lugo. "Precisa descobrir onde estão os principais enclaves, quais as políticas públicas para enfrentar a onda de assassinatos e violência no México."

Na semana passada, após ter sido confirmada como candidata do PAN nas prévias do partido, Josefina apressou-se em prometer rigor contra o narcotráfico. "Farei jus ao papel de comandante-chefe das Forças Armadas", disse ao jornal El Universal. "Colocarei os criminosos na linha." A violência relacionada ao narcotráfico já deixou mais de 50 mil mortos no país desde 2006.

Espera-se que o governo consiga "blindar" as campanhas da influência financeira do narcotráfico. "Tomara que eles consigam, mas é difícil ter certeza de que isso não vá acontecer, porque os partidos apresentam recursos não contabilizados cuja a origem não é possível identificar", acrescenta o analista. "Será uma batalha para a Justiça eleitoral."

Outro desafio de Josefina será reaproximar-se de Felipe Calderón, de quem foi ministra da Educação entre 2006 e 2009. Após uma crise entre o governo e o sindicato dos professores, Josefina deixou o cargo e se distanciou de Calderón. Durante as primárias, o presidente apoiou o ex-ministro de Finanças Ernesto Cordero, que acabou derrotado.

"Calderón terá de se curvar à vontade do PAN e apoiá-la", afirma o analista da Ibero-americana. "Mas é muito difícil que o apoio dele faça muita diferença na campanha."

O último desafio, e sob certos aspectos o mais difícil para Josefina, é superar o machismo e o conservadorismo dos políticos mexicanos. Josefina representa uma nova geração, diferente de seus dois adversários, ligados à velha guarda da classe política. Mesmo sendo ideologicamente conservadora, pode empolgar as mulheres da classe média urbana.

"As mulheres veem com bons olhos a chance de ter uma presidente mulher. Mas os políticos mexicanos estão hesitantes frente a uma líder política como ela", conclui Lugo. "Mas isso vai evoluir e deve mudar até julho." / L. R.

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