Candidatas temem alta abstenção no Chile

Campanhas se encerram com chamado às urnas na 1ª eleição sem o voto obrigatório

Rodrigo Cavalheiro, Enviado especial - O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2013 | 02h07

SANTIAGO - Em seus últimos minutos de campanha, as duas principais candidatas à presidência do Chile trocaram os ataques por um apelo aos eleitores. Pela primeira vez, o voto não é obrigatório no país e há precedentes nos quais a abstenção decidiu a eleição. A conservadora Evelyn Matthei, da Aliança, tenta evitar que Michelle Bachelet, socialista da Nova Maioria, vença no primeiro turno, no domingo.

Segundo analistas, os blocos de direita e de esquerda têm aproximadamente 20% de eleitores fiéis. Quem decide a eleição é a massa do centro, que se move de acordo com a popularidade do antecessor e sua capacidade de transferir votos para o representante governista - no Chile, não há reeleição. Em 2010, Bachelet deixou o poder com alta aprovação, mas foi incapaz de transferir sua popularidade para Eduardo Frei.

"Há um consenso de que a eleição de 2010 foi mais uma derrota de Frei. Muita gente não votou nele porque seu programa não tinha pontos que agora Bachelet resgata, como mudanças na Constituição, reforma tributária e ensino gratuito universal. Bachelet não conseguiu transferir sua popularidade para ele", diz o sociólogo Augusto Varas, presidente da Fundação Equitas.

Ontem, Bachelet encerrou sua campanha em um parque de Santiago ao lado do Museu Nacional, no bairro de classe média de Quinta Normal. Seus apoiadores transformaram o comício em um passeio. Antes de ela subir ao palco, poemas de Pablo Neruda eram cantados em ritmo de rap. Bachelet dançou e pediu a participação de todos. "Domingo, vamos votar. Peço a vocês um último esforcinho", disse, arrancando gargalhadas de uma vendedora.

"Só não voto nela porque minha religião (testemunha de Jeová) não permite votar. Mas admiro o que ela fez no primeiro mandato, deu bolsas para os mais pobres, pensou nas mulheres. Espero que ganhe no primeiro turno, mesmo que eu perca nas vendas", disse Angélica Olea, de 45 anos, auxiliar de limpeza que faz bico vendendo doces e levava uma faixa presidencial com broches de Bachelet.

Para seu último comício, Evelyn escolheu a sofisticada cidade de Chillán, no sul do país. "Escolhemos este lugar porque representa um dos meus eixos de campanha. Queremos que de Arica (no norte) até o extremo sul haja desenvolvimento igualitário. Vamos fazer desta uma região autônoma que atinja o progresso das demais", prometeu, garantindo que o governo atual dobrou o número de empregos e os salários.

Assessores pediram que todos os que votaram no presidente Sebastián Piñera, em 2010, votem nela no domingo. A maioria das pesquisas aponta vitória de Bachelet no primeiro turno porque Evelyn não alcançaria a média histórica da direita, os cerca de 20% que garantiriam uma nova votação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.