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Candidato a líder do PC chinês é afastado do cargo

Estrela nascente da cúpula comunista, Bo Xilai era conhecido por evocar maoismo e resgatar valores da Revolução Cultural

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM , O Estado de S.Paulo

16 de março de 2012 | 03h03

O Partido Comunista chinês foi chacoalhado ontem pela queda de uma de suas principais estrelas. Bo Xilai, que era chefe da megacidade de Chongqing, foi afastado de suas funções. Ele era um dos fortes candidatos ao órgão máximo de comando do país, cujos integrantes serão escolhidos em congresso da organização marcado para o fim do ano.

Às 10 horas de ontem, a agência oficial de notícias Xinhua divulgou nota de uma frase anunciando o afastamento de Bo, que no dia anterior tinha sido alvo de críticas diretas e indiretas em entrevista coletiva concedida pelo primeiro-ministro Wen Jiabao no encerramento da reunião anual do Congresso Nacional do Povo.

Filho de um herói revolucionário, Bo integra o poderoso grupo de "pequenos príncipes", do qual também faz parte o provável futuro presidente da China, Xi Jinping. Mas o ex-chefe de Chongqing desenvolveu um estilo próprio de liderança, extremamente personalista, carismático e adepto da publicidade, que destoa do caráter coletivo e discreto que prevalece hoje em Pequim.

Seu substituto será o vice-primeiro-ministro Zhang Dejiang, responsável pela política industrial de novos setores estratégicos e ao qual estava submetido o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação. Especialista em Coreia do Norte, Zhang formou-se em Economia na Universidade Kim Il-sung.

O afastamento de Bo é o maior escândalo a atingir a cúpula comunista desde 2006, quando o então secretário-geral do Partido em Xangai, Chen Liangyu, perdeu o cargo. Acusado de corrupção, Chen foi condenado a 18 anos de prisão em 2008 e continua atrás das grades.

A nota da Xinhua não revelou a razão da queda de Bo, que começou a ser desenhada no dia 6 de fevereiro, quando seu antigo braço direito, Wang Lijun, se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu, a capital de Sichuan, que fica a quatro horas de carro de Chongqing.

Wang havia se tornado alvo de uma investigação sob acusação de corrupção iniciada por Pequim e, segundo analistas chineses, passou a temer por sua vida em razão das informações comprometedoras que possuiria contra Bo. Não se sabe se ele pediu asilo político ou se usou o consulado para buscar proteção contra seu ex-chefe e negociar uma rendição direta em Pequim.

O resultado mais imediato da queda de Bo é seu afastamento da disputa para a escolha dos integrantes do Comitê Permanente do Politburo, durante congresso do Partido Comunista em outubro ou novembro. Dois nomes já estão definidos - Xi Jinping, que deverá assumir o lugar de Hu Jintao, e Li Keqiang, provável sucessor de Wen Jiabao. A disputa para as sete vagas está em aberto.Outra vítima é o "modelo de Chongqing" promovido por Bo, com sua ênfase no papel do Estado na economia, busca de redução das desigualdades sociais e nostalgia maoista.

O grande vitorioso é Wang Yang, o chefe do Partido Comunista que é o patrono do "modelo de Guangdong (Cantão)", mais liberal tanto do ponto de vista econômico quanto político. Wang defende a retração do Estado, o avanço do setor privado e governa a província que tem a imprensa mais independente da China - ainda que sujeita à censura.

Na avaliação do analista político Chen Zemin, a ala mais à esquerda do Partido Comunista foi duramente atingida pela debacle de Bo. "Wen Jiabao revelou que as autoridades centrais definiram o 'modelo de Chongqing' como o 'veneno residual' da Revolução Cultural", disse.

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