Candidato à reeleição nega fraude em eleição no Zimbábue

'Não poderia dormir com minha consciência caso as eleições fossem manipuladas', diz Robert Mugabe

Efe,

29 de março de 2008 | 11h22

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que está no poder desde a independência do país, em 1980, se mostrou convencido de sua vitória nas eleições deste sábado, 29, e negou a possibilidade de os resultados serem fraudados. "Não poderia dormir com minha consciência tranqüila caso as eleições fossem manipuladas", afirmou Mugabe aos jornalistas logo após votar, num colégio eleitoral da capital.   Veja também:   . Eleitores no Zimbábue votam em busca de mudanças . Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos   A oposição afirma que, no pleito anterior, houve fraude e que os votos foram alterados em favor do partido governista, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).   "Nós não fraudamos eleições", disse o presidente, de 84 anos, neste sábado. "Por que deveríamos fazer isso? O povo está nos apoiando", acrescentou o governante, que tenta a reeleição quando o país enfrenta a pior crise econômica de sua história.   Nas urnas, Mugabe está sendo desafiado pelo líder do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, de 56 anos, e pelo candidato independente e ex-ministro da Fazenda Simba Makoni, de 58 anos.   Nas declarações deste sábado, Mugabe se mostrou seguro de que alcançará a vitória ainda no primeiro turno. "Não costumamos ir de um round para outro, como nas lutas de boxe. Assim foi no passado, e assim vai ser agora", acrescentou o governante.   A votação começou às 7 horas (2 horas de Brasília), mas horas antes já havia filas de pessoas esperando a abertura das seções eleitorais, que devem receber cerca de 6 milhões de zimbabuanos. As fileiras de eleitores se movimentavam muito lentamente, principalmente no interior do país. Em algumas localidades, os eleitores esperam até duas horas e meia para votar.   A demora nas seções eleitorais decorre do fato de que esta é a primeira vez que o Zimbábue realiza eleições presidenciais, legislativas e municipais simultaneamente. Por conta disse, cada eleitor tem demorado, em média, um minuto para depositar seu voto na urna. "Estou aqui para defender a terra do meu pai, para que ela não seja dada aos brancos", disse à agência de notícias Efe o jovem negro Taurai Ndoro, do bairro de Avondale, em Harare.   No início desta década, Mugabe, de 84 anos, empreendeu uma vasta reforma agrária que expropriou mais de três mil fazendas, tiradas das mãos de produtores brancos para serem dadas a camponeses negros. No entanto, a reforma agrária foi tão caótica que, juntamente com outros fatores, gerou a pior crise financeira da história do país, que enfrenta uma inflação de 100.000% e uma taxa de desemprego de aproximadamente 80%.   "Quero votar porque estive desempregado nos últimos cinco anos e quero um partido que consiga gerar empregos", disse Moses Dong, de 29 anos.

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