Candidato apoiado por militares reitera ter vencido no Egito

Shafiq diz estar certo de sua vitória, apesar de o anúncio do resultado ter sido adiado, provocando o temor de fraude

CAIRO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h02

O general da reserva Ahmed Shafiq, que foi o último primeiro-ministro do deposto ditador Hosni Mubarak, voltou a declarar-se ontem "ganhador legítimo" das eleições presidenciais do Egito, intensificando a guerra de palavras com seu rival islâmico, Mohammed Morsi, enquanto o país aguarda ansioso o anúncio do resultado da votação.

Morsi, candidato do movimento Irmandade Muçulmana, havia se declarado vencedor na segunda-feira, poucas horas após o fechamento das urnas, no segundo turno eleitoral.

"Estou certo de que serei o legítimo vencedor", disse Shafiq a seus partidários em um hotel do Cairo. O general criticou Morsi por tentar pressionar a Comissão Eleitoral a declarar sua vitória, instando a realização de manifestações.

Os partidários de Morsi temem que o adiamento do anúncio dos resultados possa indicar uma tentativa de fraudar a votação em favor de Shafiq, candidato apoiado pela comissão militar que governa o Egito desde a deposição de Mubarak, em fevereiro de 2011.

Muitos egípcios e potências ocidentais têm manifestado sua preocupação de que o governo militar interino esteja tentando conservar seu poder após fazer várias mudanças constitucionais.

A ONG Human Rights Watch denunciou ontem que a extensão das prerrogativas das autoridades militares aumentou os poderes que tinham sob o regime de Mubarak, permitindo as contínuas violações dos direitos humanos. Nos últimos dias, a junta militar adotou uma série de medidas, como dissolver o recém-eleito Parlamento - formado por uma maioria islâmica -, reduzir as atribuições do cargo presidencial e autorizar a polícia e o Exército a deter civis sem uma acusação formal. A Irmandade Muçulmana voltou ontem a ocupar a Praça Tahrir para protestar contra as medidas das autoridades militares.

O ex-presidente Mubarak está internado há três dias no Hospital Militar de Maadi, em coma e ligado a aparelhos. / REUTERS e EFE

Tensão. Partidária segura foto de Morsi na Praça Tahrir

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