Candidato colombiano quer descriminar drogas

O candidato à Presidência da República na Colômbia, Luis Eduardo Gárzon, apoiado por uma coalizão esquerdista que vem registrando notáveis avanços eleitorais nas últimas semanas, afirmou hoje que é necessário realizar um debate sobre a descriminação da produção e do consumo de drogas. "Abriríamos primeiro um debate nacional e, logo depois, um internacional", disse ele sobre o que faria no caso de ser eleito em 26 de maio. "Seria absurdo pensar que a Colômbia iria descriminar as drogas sem ter em conta que se trata de um problema mundial". Garzón, um dirigente trabalhista que preside uma coalizão chamada Pólo Democrático, declarou que o debate serviria para se realçar os efeitos que estão tendo em todos os campos a política antidrogas, traçada no geral pelos Estados Unidos, e o que tem significado especificamente para a Colômbia. Terceiro colocado nas eleições legislativas do mês passado, apesar de ainda estar longe do independente Alvaro Uribe Vélez e do liberal Horacio Serpa, Garzón conversou hoje com uns trinta representantes de diversas instituições convocados pelo Diálogo Interamericano, uma organização não-governamental de Washington. Ele disse ter vindo à capital americana para promover reuniões "inusuais" para um político esquerdista latino-americano: com funcionários do Departamento de Estado e do escritório de políticas antidrogas da Casa Branca. "Viemos falar da política antinarcóticos e, dentro dela, do Plano Colômbia", declarou. "Posso dizer que sou a voz que expressa sérias preocupações neste campo". A proposta de Gárzon de se descriminar as drogas não é nova. Ela foi defendida quando era candidato o atual presidente uruguaio, Jorge Battle, mas que ao chegar ao poder não falou mais no assunto. Mas, vinda de um candidato presidencial colombiano, ela tem motivado interesse em alguns círculos de estudo em Washington. A Colômbia é a maior fornecedora de cocaína para os EUA. O tráfico de entorpecentes tem sido vinculado aos grupos armados que atuam no país. O Departamento de Estado, que busca ampliar a ajuda que oferece à Colômbia para a luta contra as drogas para o combate às guerrilhas, fala agora de "narcoterroristas" quando se refere a esses grupos. "A política antidrogas tem de ser discutida com muito menos preconceito mundialmente", disse Gárzon. "Ou continuamos fazendo o que tem sido feito até agora, sabendo que não tem dado bons resultados, ou abrimos o debate sobre legalização". Ele disse que o tráfico de drogas tem tido "um custo muito alto para a Colômbia, já que afeta a vida nacional, suas relações internacionais e o dinamismo da guerra interna".

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