Candidato contrário às Farc venceria eleição na Colômbia

O aumento da violência guerrilheira na Colômbia está favorecendo a candidatura do direitista dissidente do Partido Liberal Álvaro Uribe, que, segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, venceria no primeiro turno a eleição presidencial de 26 de maio. Uribe teria 53% dos votos, enquanto o segundo colocado, o candidato liberal Horacio Serpa, obteria 24%. O candidato presidencial apoiado pelo governo, Juan Camilo Restrepo, aparece apenas com 3% das intenções de voto na pesquisa de hoje. A pesquisa foi realizada pelo grupo editorial da rede de rádio e TV Caracol.A divulgação da pesquisa coincide com uma reunião que mantiveram hoje três candidatos presidenciais - Serpa, a independente Ingrid Betancourt e o esquerdista Luis Eduardo Garzón - com líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na zona desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados ocupada pela guerrilha no sul do país. O encontro destina-se a delinear o futuro do processo de paz com as Farc após as eleições.Uribe, que há um mês ocupava posições intermediárias nas sondagens de intenção de voto, é ferrenho opositor da concessão da zona desmilitarizada às Farc. Sua candidatura começou a disparar após o impasse que, em janeiro, quase pôs fim ao diálogo de paz entre as Farc e o governo do presidente Andrés Pastrana, do Partido Conservador.As duas partes retornaram à mesa de negociação depois de os líderes guerrilheiros terem se comprometido a alcançar um cessar-fogo até junho. Mas, numa parente tentativa de demonstrar seu poderio militar, as Farc iniciaram uma campanha de atentados a bomba e ataques a quartéis que deixou até agora pelo menos 160 mortos.O porta-voz das Farc, Raúl Reyes, representante máximo da guerrilha na reunião com os candidatos, reduziu a importância do crescimento de Uribe nas pesquisas. "As Farc não estão interessadas em nenhuma campanha eleitoral; somos uma organização política-revolucionária de oposição ao regime governante e com propostas de solução para a crise colombiana", afirmou Reyes, depois de assegurar que a guerrilha não tem planos de sabotar nem as eleições presidenciais nem a votação legislativa, prevista para 10 de março. "As eleições para nós não têm nenhuma importância."Preocupado com os danos à sua imagem, o governo colombiano voltou a endurecer hoje o tom do diálogo com as Farc, advertindo que as últimas ações da guerrilha estão tornando inviáveis as negociações. "O país tem sido paciente e suportado a negociação em meio ao conflito por causa da esperança de ver passos concretos na direção das Farc", disse o negociador do governo, Camilo Gómez. "Mas as Farc, com seus seqüestros e atentados, estão se encarregando de fechar todas as possibilidades de que as negociações prossigam como vinham sendo conduzidas."

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