Christian Hartmann, Pool via AP
Christian Hartmann, Pool via AP

Candidato da direita à presidência francesa é indiciado por desvio de fundos públicos

François Fillon usou seu direito de não responder às perguntas dos magistrados, mas leu uma declaração dizendo que espera ser tratado 'como todos os cidadãos' do país

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2017 | 16h42

PARIS - O candidato da direita francesa à presidência, François Fillon, foi indiciado nesta terça-feira, 14, por desvio de fundos públicos, como parte da investigação sobre empregos fictícios de sua mulher e filhos, a menos de seis semanas do primeiro turno da eleição.

O ex-primeiro-ministro havia anunciado ter sido convocado por três juízes responsáveis pelo caso. Mas a convocação pela a justiça aconteceu 24 horas antes do previamente anunciado. "O indiciamento aconteceu esta manhã. A audiência foi antecipada para que acontecesse em condições mais calmas", declarou o advogado do candidato conservador, Antonin Levy.

Fillon declarou aos juízes que o indiciaram que espera ser tratado "como todos os cidadãos" do país, sem precipitação e com imparcialidade. Ele usou seu direito de não responder às perguntas dos magistrados e, ao invés disso, leu uma declaração que tinha preparado para reiterar à Justiça que não pede "nenhum favor", mas simplesmente que a lei seja respeitada.

O ex-premiê foi indiciado por "desvio de fundos públicos, ocultação e cumplicidade no abuso de bens sociais" e "por violar as obrigações junto a Autoridade para a Transparência da Vida Pública", confirmou uma fonte da justiça.

Os juízes estimaram que existem "indícios graves e concordantes" após várias semanas de audiências e buscas provocadas pelas suspeitas de supostos empregos fictícios que teriam beneficiado sua mulher Penelope e dois de seus filhos como assistentes parlamentares quando ele era deputado. Penelope, de 62 anos, deverá comparecer à justiça no dia 28 de março. 

François Fillon, de 63 anos, afirmou em várias ocasiões que este indiciamento - que acontece faltando apenas três dias para o fim do prazo de apresentação dos candidatos à eleição presidencial - não o tiraria da corrida, voltando atrás em uma promessa feita inicialmente. Esta é a primeira vez que um candidato de expressão indiciado se apresenta à eleição presidencial francesa.

Apesar de o emprego de parentes não ser ilegal na Franca, os investigadores têm dúvidas sobre o trabalho exercido por sua mulher e filhos, que receberam no total cerca de € 1 milhão brutos de fundos públicos.

Além disso, na segunda-feira, o jornal "Le Parisien" revelou que os dois filhos do candidato, Marie e Charles, que ele havia empregado como assistentes parlamentares entre 2005 e 2007, entregaram parte de seus salários aos pais.

Desta forma, dos € 46 mil pagos à sua filha, de outubro de 2005 a dezembro de 2006, cerca de € 33 mil seguiram para uma conta conjunta de seus pais, afirma o veículo. Já Charles, que ocupou igualmente o cargo de assistente parlamentar entre janeiro e junho de 2008, recebendo € 4.846 brutos mensais, entregou aos pais cerca de "30% do seu salário líquido".

Os advogados de Marie e de François Fillon justificaram a manobra, afirmando se tratar de "reembolsos" aos pais.

Até janeiro, Fillon era o principal candidato nas pesquisas, mas depois que o caso veio à tona caiu para a terceira posição, superado pelo centrista Emmanuel Macron e pela líder da extrema direita Marine Le Pen.

Denunciando uma "perseguição", Fillon continua fazendo campanha, tentando atrair as atenção para o seu programa político. Ele enfrenta outra grande dificuldade, a deserção de vários membros de sua campanha, incluindo de seu porta-voz e diretor. Sua campanha chegou a ser duramente questionada por seu próprio campo. Por fim, seu partido Republicanos, acabou por reiterar um apoio claro na semana passada.

Creditado com 20% das intenções de voto, atrás de Le Pen (27%) e Macron (24%), ele seria eliminado logo no primeiro turno. / AFP, EFE e REUTERS

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