EFE/Horacio Villalobos
EFE/Horacio Villalobos

Candidato da direita na França diz que emprego da mulher era 'legal e real'

A Justiça francesa iniciou nesta quinta-feira uma investigação para comprovar se o ex-primeiro-ministro francês contratou a mulher com um emprego supostamente fictício quando ele era deputado

O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2017 | 21h37

PARIS - O candidato de centro-direita às eleições presidenciais francesas e favorito nas pesquisas, François Fillon,  contra-atacou nesta quinta-feira, 26, ao reagir às suspeitas de que teria empregado a mulher em um cargo fantasma, afirmando que ela sempre trabalhou para ele de forma "legal e real".

"Não há a menor dúvida" sobre o emprego "legal", "real" e "perfeitamente transparente" de sua mulher, Penelope, como assessora parlamentar, assegurou o candidato conservador, em declarações à emissora TF1, denunciando "o caráter abjeto desta acusação, que consiste em afetar minha mulher para me afetar", faltando três meses para a escolha do sucessor de François Hollande no Palácio do Eliseu.

"Estou na política há 30 anos e sabia que enfrentaria todas as calúnias, mas não essa. É abjeto", disse Fillon, em entrevista ao canal TF1.

A Justiça francesa iniciou nesta quinta-feira uma investigação para comprovar se o ex-primeiro-ministro francês contratou a mulher com um emprego supostamente fictício quando ele era deputado, segundo revelou o semanário Le Canard Enchaîné, que calcula as remunerações dos sucessivos contratos em € 500 mil brutos.

O candidato centro-direitista contratou Penelope Fillon pela primeira vez em 1997 para substituir um colaborador durante cinco anos, aos quais se somaram mais cinco, entre 2002 e 2007, segundo o jornal.

Fillon, membro do partido de centro-direita Os Republicanos, disse que apresentará à Justiça "todos os documentos necessários" para provar o trabalho da mulher.

"Ela corrigia meus discursos, me representava nas reuniões e associações, elaborava os relatórios de imprensa", citou o candidato, que explicou que a mulher também fala inglês.

Na França, os parlamentares dispõem de verba (€ 9.561 ao mês atualmente) para contratar até cinco assistentes para o exercício do cargo e não é ilegal trabalhar com parentes. Mais de 10% dos parlamentares têm parentes como colaboradores.

Fillon, de 62 anos, reconheceu que desde 2013 não tem nenhum parente como colaborador, não porque seja ilegal, mas porque a percepção da opinião pública é mais exigente. / AFP e EFE

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