Candidato da oposição cresce e ameaça Karzai

Abdullah seria o único capaz de levar a decisão para o 2.º turno

Carlotta Gall, O Estadao de S.Paulo

25 de julho de 2009 | 00h00

Quando Abdullah Abdullah, principal candidato de oposição ao presidente Hamid Karzai nas eleições presidenciais de agosto, chegou em Herat, no oeste do Afeganistão, para fazer campanha, milhares de eleitores se reuniram ao longo da estrada que liga o aeroporto à cidade. Pôsteres do candidato cobriam os carros e jovens vestiam camisetas com seu rosto.A menos de um mês da eleição, parece que Abdullah começa a conquistar um grande número de eleitores. "Não tenho dúvida de que o povo deseja mudanças", disse o opositor, acrescentando que sua candidatura está ganhando força. Karzai ainda é favorito, mas Abdullah é o único entre os 41 candidatos que tem alguma chance de obrigá-lo a disputar o segundo turno. Muito conhecido entre os afegãos, o oftalmologista Abdullah, de 48 anos, tem no currículo anos de resistência aos soviéticos e ao Taleban. Ele desempenhou um papel crucial na formação do novo governo após a invasão dos EUA.Depois de servir como chanceler de Karzai por cinco anos, deixou o cargo em 2006 e, desde então, tornou-se um crítico do presidente. Recusou oferta para ser companheiro de chapa de Karzai, acusando o presidente de adotar uma política de "dividir para governar" que polarizou o país.Abdullah é visto como parte de uma geração mais jovem de afegãos ansiosos para afastar o país dos senhores da guerra e dos mujahedin, pondo fim a antigos costumes. Para conseguir seu objetivo, ele defende a devolução do poder acumulado pela forte presidência de Karzai para um sistema parlamentar mais representativo. Abdullah também não se esqueceu do maior problema do país: a corrupção e a indiferença dos afegãos com relação à política. Muitos clérigos xiitas influentes de Herat estão tão revoltados com funcionários corruptos do governo que decidiram votar na oposição."Conseguir que as pessoas se envolvam é essencial para reverter a situação de insegurança e a ausência de lei", disse Abdullah. "No combate à insurgência, alienar a população significa perder a guerra."Em Herat, ele foi muito festejado ao prometer reforçar as instituições afegãs para que os soldados estrangeiros deixem o país o quanto antes. Em comícios, ele enfatizou o apoio aos direitos da mulher, aos desempregados, aos inválidos e às vítimas da guerra.Abdullah disse que trabalharia pela reconciliação com o Taleban, mas criticou o líder do grupo fundamentalista, o mulá Omar, dizendo que "ele não está pronto para negociar a paz".Esta é apenas a segunda eleição presidencial da história do Afeganistão. Analistas dizem que é impossível prever o resultado, mas afirmam que Karzai deve ser mantido no cargo graças ao apoio dos pashtuns, maior grupo étnico do país. No entanto, duas pesquisas realizadas recentemente sugerem que o presidente afegão perdeu apoio e apontam uma decisão no segundo turno.

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