Candidato da oposição vence eleições presidenciais de Taiwan

Ma Ying-jeou obteve 58,46% dos votos contra 41,54% de seu adversário, Frank Hsieh, do governante PDP

Agências internacionais,

22 de março de 2008 | 08h38

O candidato do opositor Partido Nacionalista (Kuomintang), Ma Ying-jeou, defensor do fortalecimento dos laços com Pequim, venceu as eleições presidenciais de Taiwan realizadas neste sábado, 22. Ma Ying-jeou obteve 58,46% dos votos, contra 41,54% de seu adversário, Frank Hsieh, do Partido Democratico Progressista (PDP), favorável à independência, segundo dados do Conselho Central Eleitoral.   Veja também:   Relações com China e Tibete afetam eleição em Taiwan Oposição taiuanesa é a favorita em eleições   Em seu discurso, Ma prometeu cooperação com outros partidos. "A vitória eleitoral é uma responsabilidade e um início de mudança", disse Ma, acrescentando que sua vitória não era pessoal, mas do povo taiwanês e que "os taiwaneses querem um governo limpo, sem corrupção, com economia próspera, estabilidade política e sem disputas internas e em paz com a China".   Ma também defende o estabelecimento de um "mercado comum" entre a ilha e a China e é favorável à manutenção da situação atual - nem independência nem reunificação. Taiwan é a ilha que a China diz pertencer a seu território   A vitória de Ma coloca fim a oito anos de governos independentistas, e confirma que a população apóia as propostas de mudança e rejeitam as políticas econômicas e o nacionalismo radical do atual presidente taiwanês, Chen Shui-bian.   "Os taiwaneses votaram na mudança e no pragmatismo, e contra as políticas nacionalistas radicais do atual presidente taiwanês, Chen Shui-bian, mas não por uma integração com a China", disse o professor Raymond Wu, da Universidade de Fu Jen.   A chegada ao poder de Ma, partidário de uma união com a China a longo prazo e da democracia, oferece oportunidades para uma aproximação com Pequim e uma maior integração econômica.   Ma prometeu não negociar com Pequim a união durante seu mandato, mas mostrou seu desejo de assinar um acordo de paz com a China e a disponibilidade para aceitar acordos políticos para ambas as partes.   A chave de sua vitória esteve, mais do que no apoio ao Partido Kuomintang, na insatisfação do eleitorado com a gestão da economia por parte do atual governo, segundo especialistas.   Os 200 mil empresários taiwaneses que chegaram da China para as eleições serão os primeiros beneficiados pela mudança de governo, já que Ma prometeu a liberalização das ligações de transporte, comércio e investimentos.   A primeira medida de Ma será "melhorar as relações com os Estados Unidos, que enviaram dois porta-aviões e outros navios de guerra para patrulhar as águas próximas à ilha a fim de dissuadir a China do uso das armas", afirmou o observador político Huang Chih-liang.   Taiwan é governada de maneira autônoma, mas não tem o status de país na comunidade internacional. Aliado incondicional dos EUA no Pacífico, Taiwan perdeu em 1971 a cadeira que tinha no Conselho de Segurança da ONU. Seu lugar foi transferido para a República Popular da China, liderada na época por Mao Tsé-tung. Em protesto, Taiwan deixou a organização internacional.     Fracasso dos referendos   Os dois referendos para a entrada nas Nações Unidas convocados neste sábado, 22, em Taiwan não conseguiram os 50% necessários para que os resultados fossem vinculativos, segundo a comissão eleitoral.   No primeiro referendo de entrada na ONU sob o nome de Taiwan, proposto pelo independentista Partido Democrata Progressista (PDP), mais de 5,5 milhões votaram a favor, frente a pouco mais de 351 mil contra, com uma participação eleitoral de 35,81%.   O segundo referendo, sobre a entrada, mas com o nome oficial de República da China, patrocinado pelo opositor Partido Kuomitang, 4,49 milhões de cidadãos votaram a favor e mais de 721 mil contra, com uma participação também insuficiente de 35,72%.

Tudo o que sabemos sobre:
eleiçõestaiwan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.