EFE/ Martín Alipaz
EFE/ Martín Alipaz

Candidato de Evo à presidência é acusado de corrupção na Bolívia

Luis Arce foi citado em denúncia de desvio de verba em fundo de desenvolvimento indígena; líder nas pesquisas, foi recebido por uma multidão de partidários

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 14h28

LA PAZ - Candidato do ex-presidente Evo Morales à presidência, Luis Arce, chegou à Bolívia vindo do exílio na terça-feira, 28, para dar início à campanha para as eleições gerais do dia 3 de maio, e foi imediatamente intimado pela Promotoria a depor em um caso de corrupção.

Segundo um vídeo caseiro que tem circulado pela internet, Arce foi abordado por um policial em um corredor do aeroporto de El Alto, cidade vizinha a La Paz, e acusado de um suposto desfalque de um fundo indígena quando exercia o cargo de ministro da Economia no governo de Evo. 

O governo interino instalado na Bolívia desde a renúncia de Evo, em 10 de novembro, vem promovendo a abertura de ações judiciais contra várias autoridades do antigo governo.

Em outra imagem, divulgada pelo jornal Pagina Siete, é possível ver Arce assinando a intimação para comparecer à Promotoria na quarta-feira de manhã. Não haveria mandado de prisão contra ele, segundo o promotor do caso.

Depois de assinar a intimação, o candidato presidencial  do Movimento ao Socialismo (MAS) saiu do aeroporto, onde foi recebido por seu companheiro de chapa, o ex-chanceler de Evo David Choquehuanca, e uma multidão de partidários que carregavam bandeiras bolivianas e a Whipala, que representa os povos indígenas bolivianos.

"Junto ao povo, venceremos. Eu senti tanto carinho e agora continuamos nosso caminho à presidência", Arce escreveu em seu Twitter.

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O ex-ministro, de 56 anos, considerado o pai do chamado "milagre econômico" da Bolívia, enfrenta, como vários de seus colegas, diversas acusações na Justiça boliviana. O ex-ministro de Governo Carlos Romero teve prisão preventiva decretada por seis meses, enquanto dura uma investigação também por suposta corrupção.

Rafael Quispe, atual diretor do Fundo de Desenvolvimento Indígena, pediu à Justiça que Arce "seja citado, apreendido e levado para a prisão" por "suposta responsabilidade em um desfalque milionário" no fundo indígena quando era ministro e chefe do setor.

O candidato do MAS lidera com 26% de intenções de voto, seguido do direitista Luis Fernando Camacho e de ex-presidente Carlos Mesa, de centro, ambos com 17%. Na quarta posição aparece a presidente interina Jeanine Áñez, com 12%, segundo uma sondagem da empresa Mercados y Muestras, divulgada no domingo.

Evo Morales, que governou a Bolívia durante quase 14 anos, exilou-se no México depois de renunciar sob pressão de protestos e um ultimato militar. No mês seguinte, obteve abrigo político na Argentina, de onde dirige a campanha do MAS. Ele está impedido de participar das eleições de maio. /AFP

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