Candidato é morto a tiros após fim das eleições no Nepal

Independente é assassinado em local de votação; nepaleses fazem pleito histórico que encerra monarquia

Efe e Associated Press,

10 de abril de 2008 | 09h24

Oficiais afirmaram nesta quinta-feira, 10, que um candidato independente foi morto a tiros em um local de votação no Nepal. Em outros incidentes, uma pessoa morreu durante confrontos entre militantes de dois partidos no sul do país, durante as eleições para a Assembléia Constituinte do país, e outra enquanto a polícia tentava evitar o roubo de urnas eleitorais. Os nepaleses foram em massa às urnas para uma votação histórica convocada com o objetivo de inserir os antigos rebeldes comunistas na nova cena democrática do país e pôr fim à última monarquia hindu.   Veja também: Eleição no Nepal deve abolir a monarquia  Massacre real traumatizou o país   Os choques colocaram frente a frente simpatizantes do Partido do Congresso Nepalês - do primeiro-ministro Girija Prasad Koirala - e do Fórum pelos Direitos do Povo Madhesi (MPRF, na sigla em inglês), da minoria dominante em Terai. Segundo uma fonte do Ministério do Interior, uma pessoa morreu em conseqüência dos confrontos, ocorridos na localidade de Sunsari (350 quilômetros ao sudeste de Katmandu), pela qual concorria o líder do MPRF, Upendra Yadav. A fonte disse que resta determinar a que partido pertencia a vítima, já que as duas legendas afirmaram que era um de seus militantes.   Mais tarde, uma terceira morte foi registrado durante a repressão da polícia a uma tentativa de roubo das urnas quando elas eram transferidas para a sede da Comissão Eleitoral no distrito de Siraha (sul).   As eleições do Nepal acontecem após uma campanha repleta de atos de violência, por ocasião da qual 20 pessoas já haviam sido mortas antes mesmo do início da votação. Apesar de as autoridades terem se preparado para um elevado nível de violência durante o dia da votação, uma fonte da Comissão Eleitoral disse que o organismo foi obrigado a suspender a votação em apenas oito das 9.821 localidades do país que contam com pelo menos um colégio eleitoral.   Os eleitores já faziam fila nos locais de votação antes do amanhecer, indiferentes à violência registrada nos dias que antecederam a primeira eleição em nove anos no Nepal. A votação transcorreu tranqüilamente na maior parte desta nação himalaia, mas houve episódios esporádicos de violência, inclusive uma tentativa de assassinato contra um candidato, um incêndio criminoso contra um local de votação e a morte de um homem num confronto com rivais políticos.   As votações terminaram às 8h15 (de Brasília), e a Comissão Eleitoral informou que levará cerca de dez dias para confirmar o partido vencedor, embora os primeiros resultados parciais já devam estar disponíveis na sexta-feira. A demora na divulgação de resultados oficiais se deve, em parte, ao complicado sistema eleitoral do Nepal, que combina a eleição majoritária por distritos com o voto proporcional nacional.   A eleição deste ano é vista como a pedra fundamental do acordo de paz assinado em 2006 com os antigos rebeldes comunistas. A divulgação dos resultados, porém, deve começar somente no fim de abril ou no início de maio. Em meados da década passada, os rebeldes, que se dizem inspirados no líder revolucionário chinês Mao Tsé-tung, deflagraram uma luta armada contra a monarquia nepalesa. Mais de 13 mil pessoas morreram em dez anos de um conflito encerrado em 2006.

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