Leonardo Muñoz/Efe
Leonardo Muñoz/Efe

Candidato opositor critica novo acordo entre Colômbia e as Farc

Zuluaga, que aparece empatado com o presidente Santos nas pesquisas eleitorais, critica negociação de paz

O Estado de S. Paulo,

17 Maio 2014 | 18h37

BOGOTÁ - O candidato à presidência colombiano opositor Óscar Iván Zuluaga criticou o acordo entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) sobre as drogas ilícitas, realizado na sexta-feira 16. Zuluaga afirmou que o grupo guerrilheiro "é o principal cartel do narcotráfico do mundo porque tem 16 frentes que possuem laboratórios com o cartel de Sinaloa (no México)" durante ato de campanha em Villeta.

"Um Estado legítimo não negocia a política antidrogas com aqueles que prejudicaram o país", afirmou o candidato uribista em um auditório com cerca de 300 pessoas.

A uma semana do primeiro turno da eleição presidencial, na qual o presidente Juan Manuel Santos tenta a reeleição, o governo fechou o acordo do terceiro ponto em negociação com as Farc. O acordo é sobre o ponto 4 da agenda de negociação, "Solução para o problema das drogas ilícitas".

Zuluaga afirma que as Farc devem revelar o destino do dinheiro que teriam recebido com as drogas. "A solução para o consumo das drogas está na minha proposta de educação", acrescentou o candidato opositor, que nas últimas pesquisas eleitorais aparece empatado com Santos.

Cultivo de coca. Segundo a ONU, o acordo alcançado sexta-feira "vai ter um impacto em 70% dos cultivos ilícitos de coca do país", afirmou .

"Esse acordo é muito importante, parece que estamos chegando a um ponto de não retorno nas negociações", afirmou o coordenador residente da ONU na Colômbia, Fabrizio Hochschild, ao destacar que "a mesa está mostrando maturidade e capacidade de chegar a acordos em temas difíceis com visões muito opostas."

As Farc se comprometeram a contribuir para a solução definitiva do problema das drogas ilícitas e a terminar com "qualquer relação com o narcotráfico em um cenário de fim de conflito", segundo anunciaram em Havana.

"Nós fizemos uma análise nas regiões de maior afetação pelo conflito com as Farc e mais de 70% dos cultivos ilícitos se dá nessas regiões, isso não quer dizer que as Farc sejam responsáveis por tudo, mas implica que se for implementado o acordo, terá um impacto em grande parte da produção", explicou Hochschild.

Segundo o último relatório do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), somente em 2012 os cultivos de coca se reduziram na Colômbia 25% para 48 mil hectares, quando em 2006 as áreas semeadas superavam os 78 mil hectares./ EFE

 

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