REUTERS/Carlos Jasso
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Candidato opositor denuncia fraude chavista, diz que não houve eleições e pede nova votação

Boicote convocado por opositores impedidos de concorrer e a menor afluência de chavistas levaram a uma participação baixa, estimada em menos de 50%. Na última votação presidencial, ela foi de 79%

Rodrigo Cavalheiro, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2018 | 22h59

CARACAS - A legitimidade da eleição presidencial venezuelana deste domingo, 20, foi colocada em xeque em razão alta abstenção e de denúncias dos candidatos que tentaram impedir a reeleição de Nicolás Maduro. O principal opositor, Henri Falcón, afirmou, horas depois do fechamento das urnas e antes da divulgação dos resultados, que não reconhece o processo eleitoral como válido. "Não houve eleições, é necessária uma nova votação", afirmou, dizendo-se disposto a concorrer novamente em uma eleição em dezembro, data prevista até a antecipação do processo por Maduro.

+ Alta abstenção e denúncias opositoras colocam em xeque eleição venezuelana

O boicote convocado por opositores impedidos de concorrer e a menor afluência de chavistas levaram a uma participação baixa, estimada em menos de 50%. Na última votação presidencial, ela foi de 79%.

O principal candidato opositor, Henri Falcón, denunciou mais de 900 irregularidades. Reclamou da presença de postos de informação e controle chavistas a menos de 200 metros dos locais de votação. Também questionou o pagamento prometido pelo chavismo aos que registrassem seu voto nesses pontos por meio da “carteira da pátria”, um sistema de identificação paralelo criado pelo chavismo para monitorar, e assim estimular, a participação de seu eleitorado a base de gratificações. O registro inclui 16 milhões de habitantes. 

“Prometeram 10 milhões de bolívares (US$ 12, pela cotação do mercado negro, 4 vezes o salário mínimo) a quem registrar seu votos nos ‘pontos vermelhos’. Não podemos vender nossa dignidade”, reclamou Falcón. 

 Principal rival de Maduro aponta irregularidades em eleição com alta abstenção

Outro opositor, Javier Bertucci, fez denúncias semelhantes às de Falcón. Maduro minimizou as novas ressalvas à votação. O presidente antecipou o processo eleitoral, previsto para o fim do ano, aproveitando um momento em que os principais líderes antichavistas estão impedidos de concorrer. Os opositores então boicotaram a eleição e conseguiram que ela não seja reconhecida por parte da comunidade internacional.

“É preciso um governo de diálogo”, disse Maduro após votar no bairro de Catia, em Caracas. O diálogo seria uma novidade em seu mandato. O chavismo controla o Conselho Nacional Eleitoral, o Judiciário e o Legislativo, que teve funções tomadas por uma Assembleia Constituinte criada no ano passado. Protestos contra o avanço chavista sobre o Congresso resultaram em pelo menos 121 mortes. Maduro enfrenta hiperinflação, projetada em 13.800% pelo FMI para este ano. O desabastecimento nos supermercados foi controlado antes da votação, mas o salário mínimo é insuficiente para comprar um quilo de carne (US$ 3). 

No início da tarde, o índice de participação era metade da registrada na eleição de 2013. Em centros de votação dos bairros opositores Chacao e Altamira, praticamente não havia filas. Em favelas como a do Petare e a 23 de Enero, jipes pagos pelo chavismo transportavam gratuitamente eleitores para os centros de votação morro acima. Chavistas e opositores podiam usar o serviço.

Entre os opositores que preferiram não ir às urnas, o objetivo principal era inflar a abstenção para contestar a legitimidade de Maduro. Em três anos, o presidente poderia ser submetido a um referendo revogatório que encurtaria seu mandato.

 

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