REUTERS/Jorge Cabrera
REUTERS/Jorge Cabrera

Candidato opositor surpreende e lidera votação em Honduras

Apuração mostra Salvador Nasralla, de esquerda, à frente de Juan Orlando Hernández, atual presidente

O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 21h06

TEGUCIGALPA - O início da apuração da eleição presidencial hondurenha mostrou um resultado surpreendente: o candidato opositor de esquerda, Salvador Nasralla, lidera a disputa contra o atual presidente, Juan Orlando Hernández, que tenta a reeleição. Segundo o primeiro boletim do Tribunal Supremo Eleitoral, divulgado dez horas após o fim da votação, com 57% das urnas apuradas, Nasralla tem 45% dos votos, Hernández, 40% – não há segundo turno em Honduras.

Pesquisas realizadas no domingo, momentos antes da eleição, sugeriam que Hernández venceria a votação. Durante a madrugada, os dois candidatos reivindicaram a vitória. Minutos antes da apresentação dos resultados parciais, Hernández declarou a seus simpatizantes: “Estamos na frente por 7 pontos porcentuais”. 

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Ao mesmo tempo, membros da Aliança de Oposição Contra a Ditadura, partido de Nasralla, seguiram para a sede do TSE para exigir a divulgação dos resultados. Com bandeiras vermelhas, os ativistas gritavam: “Sim, foi possível” e “Fora JOH”, as iniciais do presidente.

Nasralla insistiu na vantagem sobre Hernández. “Como a tendência não muda, posso dizer a vocês que sou o novo presidente de Honduras”, afirmou o esquerdista, eufórico, ao lado do ex-presidente Manuel Zelaya, destituído em 2009 e coordenador da coalizão opositora.

Salvador Nasralla é ex-apresentador de TV, tem 64 anos e é jornalista esportivo. Ele é o líder de uma coalizão de partidos da esquerda e de centro-esquerda. Hernández é o atual presidente, advogado de 49 anos e líder do Partido Nacional.

A eleição foi marcada pela incomum candidatura de Hernández à reeleição, que era proibida pela Constituição até 2015, mas foi liberada pela Suprema Corte. A decisão foi cercada de controvérsia, com muitos na oposição dizendo que a Corte não tinha o poder de revogar um artigo da Constituição. Os opositores mais ferozes foram os apoiadores de Zelaya, forçado a renunciar em 2009. 

A esquerda temia que houvesse uma fraude eleitoral, principalmente depois do anúncio de Hernández e da sua convocação para que as pessoas fossem às ruas comemorar sua vitória. 

Ao todo, nove candidatos disputaram a presidência, mas só três tinham chances. Além de Hernández e Nasralla, o acadêmico Luis Zelaya do Partido Liberal (PL, de direita), tinha 14% dos votos. Nasralla e Zelaya alertaram que não reconheceriam uma reeleição de Hernández, por considerá-la inconstitucional. / AP, EFE, e REUTERS

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