Candidato pode não aceitar resultado da eleição paraguaia

Em meio às eleições presidenciais deste domingo no Paraguai, o candidato Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autentico (PLRA, na sigla em espanhol), anunciou que pode optar por não reconhecer os resultados preliminares das eleições. Dados parciais serão divulgados com a apuração de 92% das atas elaboradas em mais de 17 mil postos eleitorais pelo Superior Tribunal de Justiça Eleitoral do país, algumas horas depois do encerramento das votações, às 21h. Os dados definitivos só serão divulgados no final de maio.

Agência Estado

21 de abril de 2013 | 14h09

"O sistema de transmissão rápida dos resultados da Justiça Eleitoral é igual aos cálculos que nós mesmos fazemos, são instrumentos extraoficiais para adiantar os resultados", disse Alegre, que ocupa a segunda posição na maioria das pesquisas eleitorais, em entrevista coletiva.

Basilisia Vázquez, delegada de Alegre no Tribunal Eleitoral, reforçou que nenhum resultado será reconhecido se não coincidir com os resultados do próprio PLRA. "Para o reconhecimento ou não dos resultados devemos esperar os cálculos definitivos", destacou a política.

Por outro lado, o candidato opositor Horácio Cartes, do Partido Colorado, que tenta recuperar o poder perdido em 2008 para o ex-bispo católico, Fernando Lugo, disse em outra entrevista que vai reconhecer o resultado da Justiça Eleitoral, "ainda que indiquem uma eventual derrota".

Três de quatro empresas locais de pesquisas eleitorais, desde dezembro, vêm publicando uma ampla vantagem de Cartes sobre Alegre. Apenas uma delas apontou que Alegre superaria Cartes por 1,6%.

O Paraguai é um dos países mais pobres da América do Sul e foi o único da região a registrar retração econômica em 2012, quando seu Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 0,4%. O país tem sua economia fortemente baseada na agricultura, sendo o terceiro maior produtor de soja, milho e girassol, mas apenas 1% da população controla 77% das terras cultiváveis. Mais da metade do país vive na pobreza, de acordo com levantamentos da Organização das Nações Unidas. Dados oficiais paraguaios apontam, contudo, que 39% de sua população é pobre.

Os dois principais candidatos disseram que têm como proposta mudar esse quadro social e econômico do país. Mas tanto o Partido Colorado quanto o PLRA são oligárquicos e tradicionais. Na corrida presidencial, a esquerda está bastante dividida e, de acordo com as pesquisas, não tem chances de chegar ao poder.

Durante a corrida presidencial, Cartes criou uma controvérsia ao comparar homossexuais com macacos. Na última semana de campanha, ele disse à rádio local, Chaco Boreal, que se opõe ao casamento gay devido à sua fé católica e disse que se algum dia seu filho disser que quer se casar com outro homem daria um tiro em suas partes íntimas. Durante a campanha, Alegre também se manifestou contrário ao casamento entre pessoas de mesmo sexo. O Paraguai é um país com forte presença católica.

As eleições deste domingo estão sendo acompanhadas por observadores internacionais. A União de Nações Sul-americanas (Unasul), a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Mercosul e a União Europeia enviaram observadores ao Paraguai, para acompanharem de perto as disputas eleitorais. A avaliação da Unasul e do Mercosul é importante para que o Paraguai reconquiste o direito de participar de ambos, dos quais foi suspenso em junho de 2012, depois que Fernando Lugo foi destituído do poder por uma decisão do Senado.

Cerca de 3,5 milhões de paraguaios devem ir às urnas para eleger, além do chefe de Estado, o vice-presidente, 45 senadores, 80 deputados, 18 parlamentares do Mercosul e 17 governadores departamentais para um período de governo de cinco anos. O voto no país é obrigatório e não há segundo turno. Esta será a primeira vez que 20 mil paraguaios que moram nos Estados Unidos, na Espanha e na Argentina serão autorizados a votar. O novo presidente eleito assumirá o cargo em 15 de agosto. As informações são da Associated Press.

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