Candidato pró-Bush reclama das eleições na Nicarágua

As eleições presidenciais na Nicarágua deste domingo foram marcadas pela normalidade e uma elevada participação da população. A principal incógnita da eleição é se o candidato sandinista, Daniel Ortega, vai conseguir ser eleito presidente logo no primeiro turno. Apesar disso, os outros candidatos chegaram a fazer algumas denúncias sobre o processo eleitoral nicaragüense. Eduardo Montealegre, formado em Harvard e apoiado pelo presidente dos Estados Unidos George W. Bush, encontrou-se com o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter e afirmou estar preocupado com o atraso da abertura das urnas e com a lentidão do processo eleitoral da Nicarágua. Entretanto, as principais missões de observação eleitoral destacaram a normalidade do dia, com pequenas incidências técnicas que não influenciarão na transparência do processo eleitoral. O ex-presidente peruano Alejandro Toledo e o ex-líder americano Jimmy Carter - que estão na Nicarágua como observadores eleitorais - minimizaram as denúncias. "Não há nenhuma razão para acreditar que esse não será um processo eleitoral limpo", disse Toledo. Outra denúncia foi feita pelo candidato da oposição Edmundo Jarquín, que denunciou irregularidades na votação, como o atraso na abertura das mesas eleitorais, o impedimento de que fiscais de seu partido tivessem acesso a elas e a violação da proibição da propaganda eleitoral por parte de emissoras de rádio e TV favoráveis a Daniel Ortega. O chefe da missão do Centro Carter, o boliviano Jaime Aparicio, afirmou que "as eleições estão transcorrendo com normalidade, até exemplarmente, com pequenas incidências de caráter técnico". "O próprio Jimmy Carter expressou sua plena satisfação com o transcurso do dia", disse Aparicio, ex-vice-chanceler e Ex-embaixador da Bolívia em Washington. O Centro Carter trabalha nas eleições em colaboração com a Ética e Transparência, braço nicaragüense da Transparência Internacional integrado por empresários e grupos da sociedade civil. A organização enviou um observador para cada centro de votação, no total de 11.274. O chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), o boliviano Gustavo Fernández, destacou a normalidade com a qual transcorreram as votações. "O clima da campanha foi tranqüilo e não há razão para pensar que isto mudará hoje", garantiu em entrevista coletiva Fernández, ex-chanceler e ex-ministro da Presidência da Bolívia. Fernández falou sobre a presença em massa da população nas urnas registrada pelos observadores da OEA e afirmou que "a Nicarágua tem uma tradição de alta participação nas eleições e, aparentemente, isso se repetirá agora". Apuração Na maior parte das sondagens, Ortega - apoiado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez - aparece com 33% das preferências. Em segundo lugar está um banqueiro formado em Harvard e preferido de Washington, Eduardo Montealegre, com 22% das intenções de voto, seguido do produtor agrícola, José Rizo, com 17%. Jarquín, dissidente da FSLN, tem 14%. As urnas devem ser fechadas às 18h (22h em Brasília), mas o atraso na instalação de centenas de mesas - causado pela falta de energia em muitas cidades do país - levava à previsão de que a votação se estenderia por uma ou duas horas mais. Inicialmente, se previa que a Justiça Eleitoral nicaragüense emitiria um boletim com resultados preliminares às 23h (3h da segunda-feira de Brasília), mas, com os atrasos, não se esperava a divulgação de nenhum número sobre o provável resultado da eleição antes da manhã desta segunda-feira. Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) liderava as últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas na semana passada. Mas não havia certeza sobre se ele conseguiria os 35% dos votos necessários - além de 5 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado - para vencer no primeiro turno. Segundo turno Os cinco candidatos à Presidência votaram no começo do dia, quando 3.665.141 nicaragüenses foram convocados para escolher seu presidente, seu vice-presidente, 90 deputados do Parlamento Nacional e 20 do Parlamento Centro-Americano. O candidato da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), o ex-presidente Daniel Ortega, declarou à imprensa, logo após votar, que confia em que ganhará as eleições no primeiro turno. O ex-governante (1985-1990) é o grande favorito, segundo todas as pesquisas, embora não tenha a margem necessária para evitar um segundo turno. Segundo a lei eleitoral nicaragüense, para se proclamar presidente no primeiro turno o candidato vencedor precisa ter 40% dos votos válidos ou 35% deles, com uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo candidato mais votado. Nestas eleições, os partidos de direita ou claramente de oposição a Ortega ficaram divididos, mas é provável que eles unirão forças caso ocorra um segundo turno, no qual o candidato do FSLN dificilmente ganharia. Eduardo Montealegre, da Aliança Liberal Nicaragüense (ALN) - que está em segundo lugar nas pesquisas -, disse, após votar, que estava "satisfeito com o comportamento e o espírito cívico com que seus compatriotas participaram da disputa política". Também votaram José Rizo, candidato do Partido Liberal Constitucionalista (PLC); Edmundo Jarquín, do Movimento Renovador Sandinista (MRS), e o ex-guerrilheiro Edén Pastora, mais conhecido como "Comandante Zero", da Alternativa pela Mudança (AC).

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