Candidato republicano se consolida na liderança

Newt Gingrich abre vantagem na disputa por vaga do partido nas eleições de 2012

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h06

O ex-deputado Newt Gingrich consolidou sua posição de líder da disputa pela vaga do Partido Republicano na eleição contra o presidente Barack Obama. De acordo com pesquisa divulgada ontem, ele lidera as primárias na Flórida com mais de 24 pontos porcentuais de vantagem sobre o segundo colocado, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney.

Nos últimos três dias, diferentes sondagens mostraram que Gingrich também lidera em Iowa e Carolina do Sul, dois dos primeiros Estados que realizarão primárias. Em New Hampshire, ele reduziu a vantagem de Romney. Na Califórnia, já aparece empatado com o ex-governador de Massachusetts.

Segundo o instituto Insider Advantage, Gingrich tem 41% das intenções de voto na Flórida. Romney vem bem atrás com 17%. Na Carolina do Sul, de acordo com a mesma pesquisa, a diferença é quase a mesma (38% a 15%). Em Iowa, a vantagem é um pouco menor, mas ainda bastante folgada (28% a 12%).

No placar nacional, Gingrich também lidera com boa margem. Segundo o instituto YouGov, ele tem 31% das intenções de voto e Romny apenas 20%. E ontem, pela primeira vez, ele ultrapassou Obama. De acordo com o instituo Rasmussen, ele teria 45% da preferência dos eleitores americanos, enquanto o democrata ficaria com 43%.

A temporada de primárias só começa em janeiro e, segundo analistas, ainda é cedo para apontar um vencedor. Parte da desconfiança tem como base o passado turbulento e as declarações extravagantes do ex-deputado.

No ano passado, ele condenou a construção de uma mesquita em Nova York dizendo que templos muçulmanos deveriam continuar proibidos enquanto a Arábia Saudita não permitisse a construção de igrejas e sinagogas.

Anti-Obama. Gingrich também é um crítico exaltado de Obama. Em maio, ele lançou o livro To Save America, em que dá uma visão redentora de como tirar o país da crise. Nele, o ex-deputado afirma que os democratas são uma "máquina secular e socialista que representa o mesmo perigo que os nazistas e a União Soviética".

"Cuidado com o fascismo secular e gay neste país", disse o republicano, ao criticar a união civil entre homossexuais. "Eles querem impor sua vontade sobre o restante de nós e estão preparados para usar a violência."

Pesa contra Gingrich também o fato de ele ter recebido US$ 1,8 milhão para fazer lobby para a Freddie Mac, agência federal envolvida na crise financeira, e três casamentos conturbados.

Os 20 anos de união com Jackie Battley terminaram quando ele preferiu ficar com a amante, Marianne Ginther, em 1981. Segundo o L.H. Carter, seu tesoureiro de campanha, Gingrich teria dito que ela "não era suficientemente jovem e bonita para ser mulher de um presidente". "Além disso, ela tem câncer", confidenciou o ex-deputado.

Em meados dos anos 90, quando ele comandava o processo de impeachment do presidente Bill Clinton, Gingrich teve um novo caso extraconjugal, dessa vez com uma funcionária da Câmara dos Deputados, e trocou Marianne por Callista Bisek, 23 anos mais jovem.

Em 2010, Marianne, a ex-mulher, disse à revista Esquire que Gingrich só se interessa por "poder, status e dinheiro". Chris Matthews, apresentador do programa Hardball, MSNBC, também um desafeto, o compara a um "homem-bomba". "Ele não tem cara de presidente", diz.

Apesar das críticas, o nome de Gingrich tem ganhado tração por causa da inoperância dos rivais. Rick Perry, governador do Texas, é um péssimo orador. Os deputados Ron Paul e Michele Bachmann, o ex-embaixador Jon Huntsman e o senador Rick Santorum não empolgaram a base do partido. Por fim, o empresário Herman Cain, que já foi favorito, envolveu-se em múltiplos escândalos sexuais. Como a rejeição a Romney é grande, as chances de a candidatura republicana cair no colo de Gingrich são cada vez maiores.

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