Candidatos à presidência na Argentina estão empatados

Três dos principais institutos de opinião da Argentina concordam que a 29 dias das eleições presidenciais, em 27 de abril, os candidatos Nestor Kirchner, Carlos Menem e Adolfo Rodriguez Saá estão tecnicamente empatados. Os três são do dividido Partido Justicialista (PJ, peronistas). Para Júlio Aurélio, cujo instituto leva seu nome, Graciela Römer, do Römer e Associados, e Artemio Lopez, do Equis, as últimas duas semanas serão decisivas para definir quem irá para o segundo turno.Até aqui, impera a apatia do eleitor e sua decepção com a política e os partidos políticos. Römer, Júlio Aurélio e Artemio Lopez entendem que no primeiro turno poderiam vencer Kirchner e Menem ou Kirchner e Rodriguez Saá ou ainda Rodriguez Saá e Menem. "Esta eleição funcionará como a convenção do PJ que não houve", observou o analista econômico Carlos Arbía, da consultoria Exante. "O voto está muito fragmentado e hoje é difícil prever quem venceria no segundo turno", disse Graciela Römer. Na sua opinião, Menem seria derrotado no segundo turno, já que possui o maior índice de rejeição entre os candidatos.Artemio Lopez não tem a mesma certeza. Ele acha que apesar deste alto índice de aversão ao ex-presidente (55%, segundo o Equis), a definição surgirá de acordo com o resultado que Menem venha a obter no primeiro turno. Júlio Aurélio destaca que na capital federal o candidato Ricardo Lopez Murphy, ex-ministro da Defesa e da Economia, está na frente, mas ainda distante de poder chegar ao segundo turno, mesmo com aumento do interesse em votá-lo. Entre os que trabalham com Lopez Murphy o reconhecimento é de que ele está mesmo em alta. "Porém, faltam apenas quatro semanas para as eleições e temos duvida se vai dar tempo para ele crescer o suficiente para chegar a vencer ou ir para o segundo turno", admitem. A deputada e presidenciável Elisa Carrió está numa fase "volátil", como disse um dos especialistas. Dependendo da pesquisa de opinião em questão, ela pode aparecer em segundo ou em terceiro ou até em quarto lugar. Mais uma prova da indefinição do eleitor argentino. Sentimento que ocorre depois de fatos como quatro anos de recessão, a invenção e morte do corralito e corralão (bloqueio de contas correntes, poupanças e aplicações de longo prazo), a queda do ex-presidente Fernando de la Rúa e cinco presidentes que o sucederam até o atual Eduardo Duhalde assumir o comando da Casa Rosada e antecipar as eleições presidenciais. Originalmente, elas seriam no dia 10 dezembro, mas quando viu que dois piqueteiros morreram num confronto com a polícia no ano passado, Duhalde teve medo de ver seu destino ligado ao de Fernando de la Rúa e, por isso encurtou seu mandato. Na Casa Rosada, um importante assessor de Duhalde, sentado em seu sofá vermelho, contou, enquanto tomava um café forte, que o presidente hoje "se arrepende" da decisão, já que o dólar está em baixa, a inflação também e até existe a possibilidade de se confirmar a constatação do ministro da Economia, Roberto Lavagna, de que a economia cresce 4%, mesmo com aumento recorde da pobreza.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.