Candidatos à presidência pedem reflexão ao eleitor português

O final da campanha pela conquista dos votos dos 8,9 milhões de portugueses que no domingo vão eleger o novo presidente do país foi marcado, na sexta-feira, por apelos dos seis candidatos para que a população acorra maciçamente às urnas e que reflita sobre a importância do sufrágio. Sem aparentar cansaço, após 13 dias de intensa maratona de comícios por todas as regiões de Portugal, o ex-presidente Mário Soares, que tem mais de 80 anos, disse que "tecnicamente tudo está em aberto", porque "há um milhão de eleitores ainda indecisos". Trata-se de uma referência direta ao centrista Aníbal Cavaco Silva, o grande favorito, segundo as pesquisas.Cavaco Silva, ex-primeiro-ministro, fez seu último comício em Lisboa. Seus simpatizantes interromperam o tráfego em uma grande avenida da capital por 40 minutos.O poeta e deputado socialista Manuel Alegre, de 69 anos, ignorado por seu partido que apóia majoritariamente Soares, pediu no bairro lisboeta de Chiado a mobilização dos cidadãos "contra a direita".Um melhor resultado de Alegre, que supera em vários pontos o antigo presidente Soares nas intenções de voto, suporia um grave revés pessoal para o ex-presidente, considerado um dos "pais da pátria" e líder histórico do Partido Socialista (PS).Alegre disse também que espera disputar um eventual segundo turno com Cavaco Silva, embora as pesquisas apontem para uma vitória do rival, com metade mais um dos votos válidos neste domingo.Também no centro de Lisboa, o comunista Jerónimo de Sousa, de 58 anos e operário metalúrgico, que tem remotas esperanças de atingir mais de 7% dos votos no pleito, declarou que "não há nada decidido", porque "é o povo que vota e não as pesquisas".Por sua vez, Francisco Louçã, de 49 anos, do radical Bloco de Esquerda, reconheceu em Lisboa que se Cavaco Silva for o vencedor, como apontam as pesquisas, será "uma derrota para toda a esquerda", embora tenha dito que haverá "uma grande surpresa" no Domingo.O advogado António Garcia Pereira, de 54 anos, candidato apoiado pela extrema esquerda, conseguiu reunir apenas 25 partidários em uma caminhada por Lisboa. As pesquisas dão a ele menos de 1% dos votos.As 12.500 mesas eleitorais estarão abertas de 8h às 19h GMT (6h às 17h de Brasília) deste domingo no território português continental e na Ilha da Madeira, e das 9h às 20h GMT (7h às 18h de Brasília) no Arquipélago dos Açores.

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