Candidatos a primeiro ministro na França rejeitam debate na TV

Depois de Jacques Chirac ter rejeitado o debate com Jean Marie Le Pen, os dois principais candidatos a sucessão de Lionel Jospin como primeiro-ministro francês, o gaullista Nicolas Sarkozy e o número dois da Frente Nacional de Le Pen, Bruno Gollnish, também evitaram o debate na televisão e foram entrevistados separadamente.Uma pesquisa apresentada antes das entrevistas sobre a motivação do votos nos dois candidatos revela que 65 % dos eleitores de Jean Marie Le Pen pretendem votar no candidato da extrema-direita pelo programa, enquanto 56% dos eleitores de Chirac optaram pela candidatura por causa da rejeição do adversário, Jean Marie Le Pen, e só 31% votam Chirac pelo programa. Bruno Gollnish disse que atualmente existem muitos franceses exasperados pela ausência de debate, o que impede aos candidatos confrontarem os programas. Quando se fala do programa da Frente Nacional, segundo ele, está havendo uma deturpação pelos jornais franceses dos objetivos do candidato.Ele citou como exemplo o problema da Europa e do euro. O que Le Pen propõe é uma renegociação do Tratado de Maastricht e o restabelecimento do franco. Isso corresponderia, em grande parte, a uma evolução do tipo inglesa, onde a libra esterlina foi mantida como moeda nacional e nem por isso a Grã Bretanha deixou de pertencer ao grupo dos 15 da União Européia.Ele teve dificuldades de explicar como financiar um programa econômico que pretende suprimir o imposto sobre a renda e o imposto sobre a herança. Sobre as manifestações de rua que tem se multiplicado nesses últimos dias, o braço direito de Le Pen lembrou que "nem sempre a posição da França profunda é a mesma opinião da rua", lembrando ao jornalista Serge July do jornal Libeeration, um dos dirigentes do movimento de maio de 1968 que naquela época os estudantes estavam nas ruas, mas quem ganhou as eleições foi o general De Gaulle.Ele criticou professores e reitores de universidade que estão incentivando os estudantes a sair às ruas para manifestar contra Le Pen.Indagado se considerava o craque da seleção francesa de futebol Zidane como um estrangeiro, ameaçado de ser enviado de volta à Argélia, Gollnish disse que não, pelo contrário, pois Zidane é filho de harkis, homem que sendo estrangeiro optou pela França e que até hoje não é plenamente reconhecido por seu país de origem e nem pela França. Ele defendeu para a França a adoção de um código de nacionalidade como o existente na Suíça.Quanto a Nicolas Sarkozy, apontado por muitos como o próximo primeiro- ministro da França, ele defendeu uma política de segurança, lembrando que o próprio Lionel Jospin reconhece a ingenuidade em matéria de segurança, um problema que deve ser enfrentado diretamente.Ele disse ainda que o segundo turno constitui um esforço em defesa dos valores da República, enquanto as eleições legislativas de junho dependem de um esforço em que a prioridade será a capacidade de reunir politicamente a maior parte dos franceses em torno de um programa. Após reconhecer que seu grupo tem parte da responsabilidade no que aconteceu domingo, lembrou que quando a esquerda não explora o espaço político, quem tira proveito é a extrema esquerda. Das mesma forma, quando a direita clássica não explora o espaço político é a extrema direita quem tira proveito da situação.

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