Candidatos barrados no Egito entram na Justiça

Três pré-candidatos à presidência do Egito, que tiveram suas candidaturas barradas pela Justiça eleitoral no final de semana passado, entraram nesta segunda-feira com recursos para que possam ser candidatos à presidência do país. O primeiro turno das eleições será em 23 e 24 de maio. Se houver segundo turno, ele será realizado em 16 e 17 de junho. A comissão eleitoral deverá decidir na terça-feira quais apelos serão levados em conta e uma lista final dos candidatos a presidente será publicada em 26 de abril.

AE, Agência Estado

16 de abril de 2012 | 17h58

Os três candidatos barrados são o ultraconservador islâmico Hazem Abu Ismail, o conservador islâmico Khairat al-Shater, da Irmandade Muçulmana, e o ex-chefe da espionagem do presidente Hosni Mubarak (derrubado em fevereiro de 2011), Omar Suleiman. O fato de dois dos candidatos islamitas mais destacados serem barrados pela Justiça eleitoral levou a acusações de que ela é manipulada pela junta militar que governa o Egito desde a queda de Mubarak - derrubado por um levante popular em 11 de fevereiro de 2011.

A Justiça não deu motivos para as candidaturas serem desqualificadas. Abu Ismail, um advogado que virou pregador muçulmano, foi supostamente barrado porque a mãe do pré-candidato tinha dupla cidadania egípcia e norte-americana. Sob a nova lei eleitoral do Egito, os pais de qualquer candidato não podem ter qualquer cidadania estrangeira.

Já o caso de al-Shater é mais complicado. A candidatura dele foi barrada porque ele serviu sentenças de prisão na época de Mubarak, mas isso aconteceu com quase todos os membros da Irmandade Muçulmana e uma lei de anistia, feita em 2011 e após o fim do regime, anistiou al-Shater.

No caso de Suleiman, ele chefiou durante décadas a espionagem de Mubarak e foi o elo de ligação entre o Estado egípcio, os grupos palestinos e o governo de Israel. Mas a Justiça não deu um motivo claro para a candidatura de Suleiman ser desqualificada.

O analista político Yousri Ezdawy, do Centro Al-Ahram para Estudos de Política e Estratégia, disse que a comissão eleitoral "não age de maneira transparente" e não é clara nas decisões. "Existe uma falta de confiança no sistema por causa disso, ninguém consegue compreender realmente o que está acontecendo (no Egito)", disse.

Ezdawy disse que o provável candidato ungido pela junta militar será o político Amr Moussa, ex-secretário-geral da Liga Árabe e que também foi chanceler do governo Mubarak. Mas outros afirmam que a junta militar prefere Suleiman, o qual acabará tendo sua candidatura autorizada. Mas a Irmandade Muçulmana, prevendo a possível desqualificação da candidatura de al-Shater, preparou a candidatura do chefe do seu partido político, Mohammed Morsi.

As informações são da Associated Press.

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