Candidatos britânicos dizem que eleição está indefinida

Divididos pela disputa eleitoral, pela economia e pela questão da imigração, os líderes dos três principais partidos que concorrem nas eleições gerais britânicas podem concordar com uma coisa: qualquer um pode vencer esta corrida.

AE-AP, Agência Estado

30 de abril de 2010 | 17h52

O candidato conservador David Cameron, logo após o que foi considerado por observadores o melhor debate na televisão até o momento, disse à rádio BBC que a eleição nacional da semana que vem está "longe de ser vencida".

Nick Clegg, que sobe nas pesquisas mais do que a maioria dos observadores políticos poderiam esperar, disse que a campanha está "amplamente aberta". Até mesmo o sempre otimista ex-primeiro-ministro Tony Blair, que participou da campanha hoje em apoio a seus sucessor, Gordon Brown, disse apenas que o Partido Trabalhista "tem toda a chance de ganhar".

Pesquisa da ICM/Populus, publicada pelo jornal The Guardian hoje, mostrou a distância entre cada partido dentro das margens de erro. Estatisticamente, a eleição envolvendo Cameron, Clegg e Brown tornou-se um empate.

Esses dados são decepcionantes para Cameron, cujo Partido Conservador em determinado ponto conseguiu uma liderança de dois dígitos sobre os Trabalhistas, que têm comandado o país desde que Blair foi eleito em 1997. Mas os Trabalhistas conseguiram reduzir a vantagem de Cameron na medida em que a data da eleição se aproxima e os dois partidos foram surpreendidos por Clegg, cujo estilo direto e afável durante o primeiro debate televisivo no estilo norte-americano no dia 15 de abril elevou o apoio do opositor Liberal Democrata.

Andrew Gamble, chefe do departamento de política da Universidade de Cambridge, disse que Cameron "deveria vencer esta eleição com folga". "O fato de não estarem é profundamente atordoante para os Conservadores", disse ele. "Clegg está destruindo o partido para eles".

Observadores políticos disseram que Cameron foi bem no debate de ontem, assistido por cerca de 8 milhões de pessoas, embora Clegg também tenha tido bom desempenho. Brown ficou num distante terceiro lugar, numa performance que o especialista político John Curtice descreveu como excessivamente defensiva.

Acidente

Os Trabalhistas tiveram pouca sorte nesta sexta-feira, quando um carro bateu num ponto de ônibus nas proximidades de onde o primeiro-ministro e outros integrantes de seu gabinete lançavam um novo pôster de campanha.

Ninguém ficou ferido, mas os programas de notícias da noite mostraram o vice de Brown, Peter Mandelson, tendo seu discurso rapidamente interrompido pelo som de uma freada seguida pelo barulho de uma batida. Perguntado por um jornalista, Mandelson negou que o incidente fosse uma metáfora da campanha eleitoral trabalhista.

E as notícias pioraram quando, nesta noite, o jornal The Guardian anunciou seu apoio aos Liberais Democratas. Num editorial de 2.100 palavras, o jornal tradicionalmente trabalhista, disse apoiar Clegg e sua reforma eleitoral, algo que poderia criar "um Parlamento que é realmente um espelho do pluralismo da nação".

Minuto a minuto

Dirigindo-se a uma multidão no norte da Inglaterra, Clegg disse que "certamente não iria descansar um milésimo de segundo, um minuto, até que esta campanha acabe, até o momento em que as pessoas decidam como votar".

"Trata-se de uma das campanhas mais interessantes em muito tempo e na qual podemos fazer alguma coisa diferente".

Cameron disse que seu partido terá de "lutar por cada voto, casa assento (no Parlamento)".

Brown, também, prometeu lutar até o último momento. "O período dos debates terminou, o período das decisões começou", disse ele a seus partidários. "Vamos continuar a lutar pelo futuro de nosso país até o último segundo desta campanha eleitoral".

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