Candidatos buscam se manter neutros

?Pepe? e Santos evitam tomar partido e não apoiam ou criticam golpe

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2009 | 00h00

Duas pessoas passaram sem chamar a atenção ao longo da crise em Honduras. E um deles deve governar os hondurenhos pelos próximos quatro anos. São os candidatos presidenciais Porfírio Pepe Lobo e Elvin Santos. Com a especulação de que as eleições presidenciais podem ser antecipadas, eles devem ganhar importância nos próximos dias e ajudar na resolução do impasse político.Muitos dos hondurenhos concordam que os candidatos não podem ser "contaminados" por nenhum dos dois lados. "Pepe e Elvin evitaram uma polarização desde o início do conflito. Desta forma, deixaram aberta a porta para uma solução", disse ao Estado Benjamin Santos, professor da Universidade Nacional Autônoma de Honduras.A escolha dos dois candidatos ocorreu no ano passado em um processo de primárias. Pepe era deputado e foi escolhido como candidato do Partido Nacional de Honduras (PNH), um pouco mais à direita no espectro político. No passado, foi presidente do Congresso. Filho de fazendeiros ricos e neto de palestinos, Pepe, de 52 anos, estudou administração de empresas na Universidade de Miami. Ele chegou a ser de esquerda no passado, mas, aos poucos, rumou para a direita. Em 2005, disputou a presidência contra o presidente deposto, Manuel Zelaya. Perdeu por 73 mil votos e manteve-se, desde essa época, na oposição ao governo.Na crise, Pepe preferiu não se envolver. Não criticou Zelaya publicamente, tampouco apoiou sua deposição. Anteontem, fez uma declaração afirmando que "há necessidade de um diálogo que inclua todos os setores. Insisto, todos. Ninguém pode estar acima da Constituição".EX-VICE DE ZELAYASantos era vice-presidente de Zelaya até o fim do ano passado, mas renunciou ao cargo para poder disputar a presidência, conforme prevê a Constituição. Nas primárias do Partido Liberal de Honduras (PLH), derrotou o atual presidente de facto, Roberto Micheletti. Os dois não mantêm boas relações. Mas a inimizade de Santos com Zelaya, nos últimos meses, era ainda maior. Também pertencente ao PLH, Zelaya era acusado por Santos e seus seguidores de querer sabotar sua candidatura presidencial.Santos não deu nenhuma declaração nem entrevista sobre a crise. Em parte, ele depende dos votos de pessoas que saíram às ruas em defesa de Zelaya. Sua trajetória política é oposta à de Pepe. Começou na direita, mas hoje é de esquerda. Também da elite hondurenha, estudou engenharia no Texas. De acordo com o professor hondurenho, os dois candidatos simpatizam abertamente com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, outros analistas lembram que Zelaya, quando candidato, prometia ser de uma esquerda moderada. Ao longo de seu mandato, aproximou-se do venezuelano Hugo Chávez e de outros líderes latino-americanos, como o equatoriano Rafael Correa.Além dos dois candidatos principais, há outros de partidos menores que entrarão na disputa, mas com poucas possibilidades de vitória. Historicamente, o PNH e o PLH se revezam no poder.

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