REUTERS/Carlo Allegri
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Candidatos democratas duelam entre pragmatismo e rejeição a Wall Street

Após disputa apertada em Iowa, onde a ex-secretária de Estado Hillary Clinton ganhou por 0,2 ponto porcentual, o senador Bernie Sanders aposta no apoio de jovens para vencer primária de New Hampshire

Cláudia Trevisan, Enviada Especial/ New Hampshire, O Estado de S. Paulo

08 de fevereiro de 2016 | 03h00

NEW HAMPSHIRE - O embate pela indicação do candidato democrata à presidência dos EUA opõe o pragmatismo ao idealismo. A ex-secretária de Estado Hillary Clinton se apresenta como uma reformista capaz de transformar propostas em realidade. Seu adversário, o senador Bernie Sanders, defende uma “revolução política” que coloque fim à influência do poder econômico sobre as decisões do governo.

Preferida da liderança do partido, Hillary enfrenta uma temporada de prévias eleitorais mais difícil do que sua campanha antecipava. A candidata venceu a primeira disputa, em Iowa, por uma diferença de 0,2 ponto porcentual, o que Sanders considerou um “empate virtual”. Amanhã, ela deverá ficar em segundo lugar nas primárias de New Hampshire, de acordo com pesquisas divulgadas no fim da semana, nas quais o senador pelo vizinho Estado de Vermont aparece com vantagem de mais de 10 pontos.

Ex-socialista, Sanders está à esquerda de Hillary no Partido Democrata e propõe a expansão de uma série de serviços estatais - da universalização da assistência de saúde à gratuidade nas universidades públicas. Os recursos viriam do aumento da tributação sobre os ricos e da criação de um imposto sobre a “especulação” em Wall Street. 

O senador de 74 anos incendiou os jovens democratas, que lotam os seus eventos, mas tem dificuldades de mobilizar os negros e os latinos, cujos votos vão para Hillary. Graças a eles, a candidata deve retomar a liderança nas prévias dos Estados do Sul, onde o eleitorado democrata é mais diverso do que em Iowa e New Hampshire, majoritariamente brancos.

“Nós temos uma das maiores desigualdades do mundo. Os 10% mais ricos têm quase tanta riqueza do que os restantes 90%. Vinte famílias têm tanta riqueza quanto 150 milhões de americanos”, disse Bernie Sanders em um encontro com eleitores de New Hampshire. “Não aceitem o status quo. Juntos, criaremos uma economia que funcione para todos e não apenas para o 1%.”

Em um evento no dia anterior, Hillary afirmou que o próximo presidente terá pela frente um período desafiador. “Pensem em todos os aspectos da função”, pediu a candidata aos eleitores. “Vocês estarão escolhendo alguém que será o comandante em chefe do país”, lembrou a pré-candidata, que tem na política externa sua maior vantagem sobre o rival.

As professoras Julia Herman e Jamie Nolan votarão em Hillary amanhã. “Comparadas com as de Bernie Sanders, as propostas dela têm mais chances de serem implementadas”, disse Herman, que participou do evento com a candidata na quarta-feira. Para Nolan, a ex-secretária de Estado tem mais experiência e é o melhor nome dos democratas para vencer os republicanos em novembro.

Defensora da candidatura de Sanders, a deputada estadual de New Hampshire Jackie Cilley rejeitou o “gradualismo” que seria representado por Hillary e disse querer “grandes sonhos” de um mundo mais justo. 

Chris Pierce, estudante de Ciência Política de 19 anos, afirmou que apoia a candidatura do senador por suas propostas e pelo fato de sua campanha ser financiada por um movimento de base - Sanders recebeu doações de 3,5 milhões de contribuintes individuais, no valor médio de US$ 27,00. “Isso mostra que ele não fará acordos com as grandes corporações e as elites econômicas que tentam ganhar influência política”, observou. 

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