Candidatos do Brasil ao senado italiano querem agilizar pedidos de cidadania

Cerca de 500 mil pessoas aguardam para obter reconhecimento nos consulados do País

Fernanda Simas, O Estado de S. Paulo,

20 de fevereiro de 2013 | 08h00

No Brasil existem seis consulados italianos, nos Estados de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife, além da Embaixada da Itália em Brasília, responsáveis pelos processos de reconhecimento da cidadania italiana. Atualmente, cerca de 500 mil pessoas aguardam para obter esse reconhecimento no País, em um processo que pode levar mais de cinco anos.

Mudar esta situação está nas propostas de dois candidatos ao senado italiano pela América do Sul. A eleição do Parlamento no país europeu ocorre dias 24 e 25 de fevereiro, sendo que, desde 2006, italianos residentes no exterior podem votar e eleger 12 deputados e seis senadores - para os residentes no exterior o prazo da votação termina amanhã.

A América do Sul terá como representantes quatro deputados e dois senadores, sendo que no Brasil existem cerca de 280 mil eleitores, de acordo com a embaixada da Itália no País. O Estado conversou com os candidatos Edoardo Pollastri (lista cívica Unione Sudamericana Emigrati Italiani) e Fausto Longo (Partido Democrático) para entender as propostas aos ítalo-brasileiros.

"Precisamos ter consulados mais ágeis, mas é preciso entender que um consulado não é uma máquina, ele emite apenas certa quantidade de documentos por ano. Em 2006 eu fazia parte da comissão do Exterior e convenci o governo (italiano) a contratar localmente 150 pessoas nos consulados para acelerar o processo", diz Pollastri, se referindo ao fato de ter sido eleito para o senado em 2006.

Segundo a embaixada em Brasília, o atraso em conceder documentação para ao reconhecimento da cidadania italiana ocorre porque é necessário regularizar a situação de todos os ascendentes que não foram registrados junto ao consulado - como previsto pela lei - até chegar ao avô italiano, ou seja, é preciso obter o registro da cidade onde nasceram os ancestrais de quem requer a cidadania.

De acordo com a assessoria de imprensa da embaixada, pelo menos 377 mil cidadãos já tiveram a cidadania italiana reconhecida no Brasil, juntando os processos dos seis consulados-gerais. Só o consulado em São Paulo emite cerca de 10 mil regularizações por ano.

Pollastri sugere que os vice-consulados honorários - existentes em diversas cidades - tenham mais poder na emissão do reconhecimento da cidadania, "pelo menos até a última fase do processo, assim desafogaria a fila dos consulados."

Fausto Longo demorou três anos até conseguir obter sua cidadania italiana, por isso agilizar esse processo também é um dos principais pontos de sua campanha. "Precisamos diminuir a fila da cidadania. Atualmente existem 550 mil pessoas na fila no Brasil, é preciso melhorar os serviços consulares, homogeneizando os processos e fortalecendo os consulados-gerais."

Intercâmbio

Os dois candidatos acreditam que outra prioridade do representante da América do Sul no Senado italiano é facilitar o intercâmbio cultural entre os países.

"O governo brasileiro fez o programa de bolsas de estudo, o que é um bom começo e me parece que tem oito ou nove mil bolsas que são justamente para universidades italianas. Eu gostaria de acompanhar esse processo e dar continuidade com parcerias de pequenas e médias empresas, assim depois de o jovem estudar ele também terá oportunidade de emprego, nos dois países", diz Pollastri.

Para Longo, além do intercâmbio, "é preciso ensinar a história da imigração italiana no país europeu e aqui é preciso valorizar a cultura italiana, pelo incentivo do estudo da língua, por exemplo."

 

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