Candidatos franceses entram no último dia de campanha

Os candidatos à Presidência da França fazem nesta sexta-feira, 20, o último dia de campanha para o primeiro turno de domingo, numa eleição que deve marcar a ascensão de uma nova geração de políticos ao poder no país. O conservador Nicolas Sarkozy, ex-ministro do Interior, mantém há meses uma consistente liderança nas pesquisas, mas a socialista Ségolène Royal conseguiu reduzir a diferença nos últimos dias. A partir de 0h de sábado, ficam proibidos discursos e a divulgação de pesquisas, para que o eleitorado tenha um "dia de reflexão" antes do primeiro turno de domingo. Estima-se que até 40% do eleitorado esteja indeciso ou disposto a mudar de candidato, mas todos os levantamentos apontam para um segundo turno entre Sarkozy e Royal em 6 de maio. Mas, depois que em 2002 o ultradireitista Jean-Marie Le Pen superou o socialista Lionel Jospin e passou ao segundo turno contra Jacques Chirac, que acabou reeleito, ninguém descarta uma surpresa. "Peço a todos os eleitores que venham em massa no primeiro turno", disse Royal nesta sexta-feira à rádio France Inter. Chirac, último de uma geração política formada pelo general Charles de Gaulle, líder nacional durante a Segunda Guerra Mundial, está se aposentando, após 12 anos no poder. Os três primeiros colocados nas pesquisas estão na faixa dos 50 anos. Último eventos Os últimos eventos de campanha dos candidatos foram simbólicos. Sarkozy visitou uma fazenda de gado no sul, Royal foi a uma sofisticada feira de rua em Paris e a um piquenique, e o centrista François Bayrou visitou um memorial alusivo à Primeira Guerra Mundial, em Verdun. Refletindo ainda os distúrbios de 2005 nos subúrbios da cidade e uma taxa de desemprego que é a maior entre os países da zona euro, a campanha foi dominada por temas como emprego, criminalidade e imigração. Mas também a personalidade dos candidatos está na berlinda, e Sarkozy especialmente está sendo qualificado por seus rivais como um perigoso autoritário - sua reputação como ministro se deve justamente à linha-dura contra os distúrbios, mas seu caráter hiperativo preocupa muitos eleitores. Economicamente, ele é o mais liberal dos candidatos. De acordo com o tom agressivo da campanha, Sarkozy disse ao jornal Le Parisien estar "coberto de cicatrizes". "Todos os que tentam dizer isso de mim são de certa forma fascistas. Fascismo é caricaturar as pessoas em vez de ouvir o que elas estão realmente dizendo." Estimativas Royal, que entrou com força depois de derrotar os "elefantes" de seu partido na disputa interna, teve uma campanha atribulada, com dúvidas a respeito de sua competência, devido a uma série de tropeços e gafes, especialmente em questões de política externa. Mas ela se recuperou nos últimos dias, enquanto Bayrou, que chegou a ameaçá-la nas pesquisas, caiu. Quatro pesquisas divulgadas na quinta-feira mostram Sarkozy na liderança (com entre 27% e 29%), seguido de perto por Royal (22,5% a 25%). Em seguida aparecem Bayrou (15% a 20%) e Le Pen (13% a 15,5%). Para um segundo turno, Sarkozy recebe de 50% a 53% das intenções de voto, enquanto Royal oscila entre 47% e 50%. O conservador perdeu um ou dois pontos em relação às pesquisas de segundo turno feitas na semana passada. As últimas pesquisas devem ser divulgadas na noite desta sexta-feira.

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