Mathew Cavanaugh/AFP; Sean Rayford/AFP;Michael Reynolds/EFE
Mathew Cavanaugh/AFP; Sean Rayford/AFP;Michael Reynolds/EFE

Pré-candidatos republicanos se unem na rejeição a realizações de Obama

Trump, Cruz e Rubio apresentam os Estados Unidos como um país em declínio econômico e militar e prometem resgatar o esplendor supostamente perdido; favoritos também dizem que revogarão várias medidas aprovadas pelo governo democrata

Cláudia Trevisan ENVIADA ESPECIAL NEW HAMPSHIRE, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2016 | 02h00

Donald Trump promete tornar a América grande de novo. Ted Cruz fala em “pegar o país de volta”, enquanto Marco Rubio se apresenta como o único capaz de resgatar o “sonho americano”. Na busca de votos em incontáveis encontros com eleitores de New Hampshire, os três candidatos que lideram a corrida no Partido Republicano apresentam os EUA como um país em declínio econômico e militar e prometem reconquistar o esplendor supostamente perdido.

Diferentes em estilo e com divergências na política externa, eles se unem na rejeição de algumas das principais realizações do presidente Barack Obama. Trump, Cruz e Rubio afirmam que revogarão o acordo nuclear fechado com o Irã no ano passado, acabarão com o Obamacare e anularão várias das regulações adotadas na administração democrata, especialmente na área ambiental.

“Nós estamos à beira do abismo e corremos o risco de perder o maior país da Terra”, disse Cruz a cerca de 300 eleitores reunidos em uma revendedora de carros na quinta-feira. Mais conservador entre todos os candidatos republicanos, o senador texano identificado com o Tea Party venceu na semana passada as primeiras prévias do país, em Iowa, impulsionado pelo voto evangélico.

Na terça-feira, será a vez dos eleitores de New Hampshire escolherem os nomes que disputarão a presidência dos EUA pelos dois partidos. Nos dias que antecedem a decisão, as pequenas cidades do Estado de 1,3 milhão de habitantes se transformam no centro da política americana, com todos os aspirantes à Casa Branca dedicados a um extenuante corpo a corpo com os eleitores.

Indecisos. Pesquisas indicam que 60% deles continuam indecisos. Muitos vão a reuniões com diferentes candidatos, nas quais têm a chance de confrontá-los com perguntas diretas sobre política externa, economia e temas que assolam o seu cotidiano. A reportagem do Estado esteve em seis cidades de New Hampshire na semana passada e acompanhou eventos de oito candidatos.

Na quarta-feira, o governador de New Jersey, Chris Christie, tentava convencer uma plateia de idosos de suas qualidades como administrador e de credenciais para ser o comandante-chefe dos EUA. Na sessão de perguntas, um homem se levantou e disse que havia sido forçado a trocar New Jersey por New Hampshire por não ter dinheiro para pagar os altos tributos estaduais. “O imposto sobre a propriedade aqui é metade do que em New Jersey e o senhor é responsável por isso”, disse o eleitor.

O sistema de prévias torna a campanha nos EUA longa, mas permite o contato direto entre candidatos e eleitores e faz com que o consenso em torno dos nomes seja construído aos poucos, Estado por Estado. “Se houvesse uma única primária nacional, no mesmo dia, ela seria dominada pela grande mídia e por quem tivesse mais recursos. Não haveria um período de dois anos nos quais os candidatos interagem diretamente com os eleitores”, disse o secretário de Estado de New Hampshire, William Gardner, que há 40 anos é responsável pela organização das primárias locais.

Mobilização. O evento que se repete a cada quatro anos mobiliza a população, que tem o um dos mais elevados índices de participação em prévias eleitorais dos EUA. Ingrid Olmstead foi a um evento com Jeb Bush na quarta-feira, mas ainda estava indecisa entre o ex-governador da Flórida e o bilionário Donald Trump. O casal Wesley e Judy Hurst participou de encontros com Bush, Trump, Chris Christie, Marco Rubio, Ted Cruz e Carly Fiorina. Mas eles gostam mesmo é do neurocirurgião aposentado Ben Carson, que está em queda nas pesquisas.

Às 8 horas de quinta-feira, Rubio chegou a um salão de festas para uma reunião com pouco mais de 200 eleitores. Aos 44 anos e em seu primeiro mandato de senador, ele defendeu a ideia do “excepcionalismo” americano, que estaria sendo minada sob o governo democrata. “Estamos perdendo muitas das coisas que nos fazem especiais”, afirmou o filho de um atendente de bar e uma faxineira que emigraram de Cuba para os EUA. “Barack Obama quer mudar a América e fazer com que sejamos mais parecidos com o restante do mundo.”

A regra dos pequenos encontros antes das prévias é quebrada por Trump, que prefere realizar eventos para milhares de pessoas, nos quais recebe aplausos entusiasmados quando repete suas promessas de construir um muro na fronteira com o México, expulsar 11 milhões de imigrantes que vivem sem documentos nos EUA e impedir a entrada de refugiados sírios no país. 

“Donald Trump chacoalhou o poder estabelecido nos dois partidos. Nenhum deles está fazendo muito por nós. Trump revela a insatisfação dos que acreditam que estamos indo na direção errada”, disse o distribuidor de livros John Harris pouco antes de o bilionário subir ao palco. Seu sonho é ver uma chapa Trump-Cruz nas eleições de novembro. “Seria um bom time, porque Cruz poderia suavizá-lo.”


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