Candidatura Macri forçaria 2º turno

É o que mostra pesquisa; opositores de Kirchner tentam convencer presidente do Boca a disputar presidência

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

24 Julho 2007 | 00h00

O novo astro da oposição argentina, o prefeito eleito de Buenos Aires, Maurício Macri, pode balançar a relativa segurança da candidata do governo à presidência , a senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner, que atualmente aparece nas pesquisas como franca favorita para vencer já no primeiro turno as eleições presidenciais de outubro. Nos últimos dias ocorreram intensas mobilizações nos setores do Partido Justicialista (peronista) que estão em confronto com o presidente Néstor Kirchner - entre eles, os integrantes das fileiras do ex-presidente Eduardo Duhalde - para tentar convencer Macri a disputar a presidência do país. Macri, que integra a coalizão de centro-direita Proposta Republicana (PRO) e é presidente do time Boca Juniors, tornou-se a principal figura da oposição ao derrotar em junho o candidato do presidente Kirchner à prefeitura portenha. Os mais de 60% de votos que recebeu no segundo turno o entronizaram como alternativa ao governo. Pesquisas realizadas pelo PRO indicam que, se Macri fosse candidato à presidência, ele conseguiria 25% dos votos, enquanto Cristina Kirchner teria 38%. Dessa forma, Macri conseguiria forçar a primeira-dama a ter de disputar um segundo turno, algo pouco provável no atual cenário político. Mas, sem Macri no páreo - segundo várias pesquisas -, Cristina teria 45% dos votos, enquanto seus dois principais rivais, Elisa Carrió (líder da centro-esquerdista Alternativa por uma República Igualitária, ARI) e o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna conseguiriam, cada um, entre 12% e 15% dos votos. Nesse caso, a vitória seria de Cristina, já que a Constituição argentina determina que, se um candidato conquistar 40% dos votos e tiver uma diferença de pelo menos 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado, é eleito no primeiro turno. No entanto, o discurso de Macri, até agora, foi o de descartar a idéia de ser candidato à presidência. Ele afirma que pretende realizar uma "administração-modelo" em Buenos Aires nos próximos quatro anos e só disputar a presidência em 2011. Mas seus assessores, embora não confirmassem ontem os rumores, tampouco os desmentiam de forma categórica. "Macri administrará a cidade. Não acho que ele vá ser candidato a presidente", afirmou o deputado Federico Pinedo, do PRO. A eventual candidatura de Macri à presidência contaria com o respaldo de vários setores empresariais que estão em choque com o governo. A idéia seria transformar Macri no principal candidato "antikirchnerista", capaz de unificar os votos de uma oposição atualmente fragmentada.

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