Cantor leva tiro de raspão no dia das eleições

Idolatrado pelos haitianos, o cantor Wyclef Jean - que apoia o músico e candidato Michel Martelly - levou um tiro de raspão na mão na noite do sábado. Não está claro, porém, se o incidente teve relação com a votação e a notícia não pareceu alterar o ânimo dos eleitores haitianos.

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2011 | 00h00

Temendo novas fraudes, diplomatas de vários países e organizações internacionais presentes no Haiti intensificaram os esforços para supervisionar o segundo turno das eleições. A Organização dos Estados Americanos (OEA) ampliou de 120 para 200 o total de observadores eleitorais e várias embaixadas em Porto Príncipe colocaram seu pessoal nas ruas para percorrer os centros de votação.

De camisa guayabera, chapéu e óculos Ray Ban, o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, visitou locais no centro da capital onde haitianos votavam. "Está parecendo que, desta vez, o comparecimento será muito mais alto", afirmou Kipman. No primeiro turno, apenas um quinto da população votou. "Tudo está tranquilo, vamos esperar que continue assim."

As tropas da missão de paz da ONU no Haiti (Minustah) intensificaram as patrulhas nos últimos dias, mas nenhum incidente grave foi registrado. Antes da abertura dos centros de votação, um haitiano que atirou uma pedra contra soldados brasileiros acabou preso. Os militares o entregaram à Polícia Nacional do Haiti (PNH), que imediatamente liberou o jovem.

No norte do país, tensões entre grupos de partidários dos dois candidatos obrigaram o comando da Minustah a deslocar parte de seu pessoal. Mas não houve barricadas e confrontos como os ocorridos quando o resultado do primeiro turno foi divulgado, em dezembro.

A Minustah não é autorizada a entrar nos centros de votação e apenas auxilia na manutenção da ordem no país. Um agente canadense da polícia da ONU que supervisionava um colégio no bairro de Petion Ville afirmou que, por engano, as cédulas entregues pela manhã eram de 2009. Avisada, a comissão eleitoral conseguiu trocar o material em menos de uma hora.

Uma funcionária da embaixada americana acompanhava a votação no Estádio Nacional. "As coisas estão indo bem ao estilo haitiano. Temos de levar em conta as dificuldades do país", disse ela, que pediu para não ser identificada.

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