Caos aéreo irrita líderes europeus

Milhares de voos são cancelados por nevascas

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

Quase 12 mil voos cancelados e mais de 1 milhão de pessoas afetadas às vésperas do Natal. Esse é apenas o resultado provisório do caos aéreo enfrentado pela Europa desde o fim de semana - problema que já se transformou em uma crise política na região.

Enquanto políticos da Alemanha, Holanda e Grã-Bretanha tentavam acalmar a população, alegando que o problema era da neve, a União Europeia (UE) rejeitou o argumento do clima e classificou a situação de "inaceitável". Bruxelas ainda anunciou que exigirá novas leis para o setor aéreo em 2011.

A UE quer saber como Moscou, Estocolmo e tantas outras cidades da Europa convivem regularmente com a neve, sem registrar grandes problemas, enquanto as principais capitais do continente não conseguem lidar nem mesmo com um volume relativamente pequeno de neve.

Ontem, mais uma vez, foi o aeroporto de Heathrow que acabou sendo a principal fonte da crise. A neve voltou a interromper 70% dos voos, enquanto empresas começaram já a remarcar passagens para o dia 27.

O premiê britânico, David Cameron, chegou a propor o deslocamento de tropas até os aeroportos do país para abrir as pistas de pouso.

A oferta foi recusada pela direção do Heathrow, que garantiu ter máquinas e estruturas suficientes para lidar com a crise. De fato, uma segunda pista foi reaberta ontem em Londres, mas as autoridades apontam que a normalização dos serviços ainda não tem prazo.

Segundo a Associação de Companhias Aéreas da Europa, cerca de 10 mil voos foram cancelados entre sábado e o meio-dia da segunda-feira. Até o início da semana, já eram 800 mil os passageiros afetados.

Ontem, foram pelo menos mais mil voos cancelados. Em Frankfurt, o aeroporto esteve fechado na parte da manhã, também por causa da neve.

Previsão. Meteorologistas preveem nova tempestade de neve a partir de amanhã, o que ameaça ampliar ainda mais a crise.

A British Airways já pediu aos passageiros que apenas se dirijam ao aeroporto se tiverem seus voos confirmados.

Já sem paciência, dois funcionários da ONU que voltavam do Haiti para passar o Natal na Europa conversaram com o Estado por telefone do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e afirmaram que o local parecia um "acampamento de refugiados".

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