Caos aéreo provoca efeito dominó no comércio mundial

Suspensão dos voos prejudicou desde fábricas de automóveis no Japão até comércio de frutas com o deserto de Dubai

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

A dificuldade da Europa em reabrir seu espaço aéreo, fechado por causa da erupção de um vulcão na Islândia, teve repercussões ontem nos quatro cantos do planeta, em uma demonstração do grau de integração dos mercados.

A Nissan anunciou que está suspendendo de forma temporária a produção de carros em suas fábricas no Japão por falta de peças que viriam da Europa.

Segundo a empresa, estão em falta sensores de pressão de ar, importados da Irlanda. As peças são usadas para alertar os motoristas que os pneus estão sem ar. No total, 2 mil carros deixarão de ser produzidos até quinta-feira, quando a empresa espera receber as peças.

Por enquanto, a Nissan não sabe quanto perderá com a suspensão da produção.Mas a empresa insiste que essa é a prova de que a produção de um veículo é mesmo global.

Em Dubai, os supermercados em pleno deserto alertaram seus clientes que ficarão sem frutas da Europa.

Do outro lado do mundo, a Fujitsu também informou que seus laptops estão se acumulando nos aeroportos do Japão, sem poder ser exportados. Na Coreia do Sul, a Samsung e a LG não conseguiram embarcar 200 mil celulares para seus destinos, deixando de ganhar US$ 30 milhões.

Vilarejo global. "Esse vulcão nos faz lembrar que, de fato, vivemos em um vilarejo global. Nem a crise global gerada pelo Lehman Brothers em 2008 nem a proliferação do vírus H1N1 tiveram um impacto tão veloz em tantos setores e famílias como essa nuvem de cinzas", afirmou Herbert Puempel, meteorologista chefe da Organização Meteorológica Mundial, ligada à ONU.

A maior produtora de peixe do mundo, a norueguesa Marine Harvest, anunciou que reduzirá a produção de salmão nesta semana, já que não tem como exportar o peixe.

Redes de supermercados e restaurantes começam a substituir fornecedores europeus por asiáticos e até neozelandeses. A Venos, fornecedora de alimentos para restaurantes na Alemanha, informou seus clientes que não tem como oferecer atum da Índia, pêssegos da África e manjericão do Chipre.

O caos também está obrigando empresas a mudar suas programações de eventos e encontros. A Hugo Boss adiou a apresentação de sua coleção de primavera para algumas das maiores lojas do mundo. Já a Rio Tinto foi obrigada a adiar por um mês sua assembleia-geral.

Na ONU, a conferência que negociaria em Genebra um novo acordo sobre o comércio de cacau foi adiada para maio. Delegados africanos dos países produtores não conseguiram chegar.

Segundo a empresa de telecomunicações Cisco, o número de pedido de empresas para adotar sistemas de teleconferências se multiplicou nos últimos dias.

Aeroportos.[ ] Enqu[/ ]anto o sistema não se normaliza, os aeroportos também calculam suas perdas. Segundo o Conselho de Aeroportos da Europa, o prejuízo com o caos aéreo já chega a US$ 270 milhões.

No total, 10 milhões de passageiros foram afetados. No pior momento da crise, no domingo, 313 aeroportos foram fechados.

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