Caos da fronteira pode facilitar fuga de Bin Laden

O cenário da fuga do homem mais procurado do mundo, Osama Bin Laden, pode ser o caos dos postos de fronteira do Afeganistão por onde passam todos os dias milhares de refugiados. Para cruzar as barreiras, o líder dos terroristas da Al-Qaeda precisa só "assumir a sua face de homem comum", de acordo com um oficial da Interpol especializado em identificação e resgate de criminosos internacionais. Para ele "o rosto simples de Bin Laden pode ser alterado de forma radical com facilidade, até mesmo sem cirurgia plástica, apenas com injeções subcutâneas de silicone e aplicação de botox no nariz".Com esse novo perfil e documentos falsos, o terrorista deixará o território afegão levando uma identificação de refugiado fornecida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas. "O risco é o de que, assim, ele se transforme em um novo Carlos, o Chacal (Illiytch Ramírez Sánchez, terrorista venezuelano), cuja captura exigiu 20 anos de trabalho ininterrupto", afirma o funcionário da Interpol. A busca pelo líder dos extremistas envolve algumas das mais bem treinadas tropas dos Estados Unidos e da Inglaterra, além de agentes da Agência Central de Inteligência (CIA).Seriam não mais de 300 combatentes no total. Divididos em times de 11 a 22 homens, os grupos estão empenhados em um rude jogo de gato e rato: caçar Bin Laden literalmente no escuro, dentro do complexo sistema de 350 quilômetros de cavernas. "O fato de Bin Laden aparecer diante de paredes de calcário nos vídeos e fotos tomados recentemente é um indício de que ele esteja em um abrigo subterrâneo", acredita um oficial norte-americano da primeira linha da reserva das forças de operações especiais.A formidável tecnologia militar utilizada pela coalizão liderada pelos EUA pode ajudar: a rede de sensores eletrônicos que interliga satélites de reconhecimento, aviões de monitoramento e pontos avançados de observação faz o rastreamento em tempo real da movimentação noturna dos esconderijos.Da mesma forma como tem dirigido os bombardeios de precisão da força aérea, pode orientar o trabalho dos pelotões encarregados de localizar Bin Laden. É uma aposta pesada e cara. Poucos dias antes do início da ação militar contra o Taleban, o Pentágono colocou em órbita um satélite espião de US$ 350 milhões para atender exclusivamente às necessidades da operação Liberdade Duradoura.Se conseguir escapar do cerco no Afeganistão, o rico terrorista saudita contará com recursos que permitirão a ele chegar a qualquer parte do planeta. Um das possibilidade é a América do Sul, alcançada por meio das pouco vigiadas rotas antárticas. Há ainda as nações alinhadas com o terror muçulmano como o Iêmen, a Somália, algumas das etnias do vizinho Paquistão, e eventualmente o Iraque.Os serviços de inteligência e informações dos Estados Unidos elevarão seu patamar de sofisticação com os US$ 30 bilhões destinados ao complexo de 13 agências no orçamento de 2002. Isso tornará uma fuga de longo prazo tarefa cada vez mais complexa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.