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Caos no Paquistão atrai tramas da Al-Qaeda

Avanço do Taleban em vastas áreas do território dá mais liberdade a militantes do grupo para planejar ataques

Mark Mazzetti e Eric Schmitt, The New York Times

12 de maio de 2009 | 08h05

No momento em que militantes taleban penetram mais fundo em áreas povoadas do Paquistão, agentes estrangeiros da Al-Qaeda que estavam concentrados no planejamento de ataques contra o Ocidente estão aproveitando o tumulto para semear o caos no Paquistão e fortalecer o poder dos grupos islâmicos do país, segundo agentes de inteligência americanos e paquistaneses.

Uma indicação disso surgiu no dia 19, quando um caminhão estacionado num complexo da Al-Qaeda no Waziristão do Sul, nas áreas tribais do Paquistão, explodiu numa bola de fogo, atingido por um míssil da CIA.

Agentes de inteligência americanos dizem que o caminhão fora carregado com explosivos de grande potência, aparentemente para ser usado como uma bomba. A apesar de não estar claro qual seria seu alvo final, a bomba teria sido mais devastadora que a do atentado suicida no Hotel Marriott em Islamabad, em setembro, que matou mais de 50 pessoas.

Líderes da Al-Qaeda - um grupo predominante árabe de egípcios, sauditas e iemenitas, além de outras nacionalidades como a usbeque - fomentaram durante anos laços com grupos militantes paquistaneses, como o Taleban que opera nas montanhas do Paquistão.

Agentes de inteligência dizem que as investidas do Taleban nas regiões de Swat e Buner, mais próximas da capital, Islamabad, que das áreas tribais, já ajudaram no recrutamento da Al-Qaeda. Os agentes dizem que a campanha de recrutamento do grupo tem como alvo jovens combatentes em todo o Oriente Médio, norte da África e centro da Ásia, que são menos propensos a planejar e realizar ataques globais de longo alcance e concentraram suas energias em alvos mais próximos e imediatos.

Continua improvável que militantes islâmicos tomem o poder no Paquistão em razão da força dos militares paquistaneses, segundo analistas de inteligência americanos. Mas um funcionário graduado da inteligência americana manifestou o receio de que os êxitos recentes do Taleban na extensão de sua influência territorial poderiam prenunciar a criação de "mini-afeganistãos" no Paquistão, o que daria aos militantes uma liberdade ainda maior de tramar ataques.

Funcionários do governo americano e especialistas em terrorismo disseram que o foco crescente da Al-Qaeda numa estratégia local decorreu, em parte, da necessidade, na medida em que a intensificação de ataques aéreos da CIA reduziu a capacidade do grupo de atingir alvos no Ocidente.

Os Estados Unidos realizaram 16 ataques com aviões não tripulados até agora, neste ano, segundo autoridades americanas, ante 36 ataques durante todo 2008.

Os agentes da Al-Qaeda são estrangeiros dentro do Paquistão, e especialistas dizem que os líderes do grupo, como Osama bin Laden e seu segundo, Ayman al-Zawahiri, têm se mostrado cautelosos em reclamar o crédito pela violência que afeta o país, temendo que isso possa criar uma reação popular contra o grupo.

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